Blog

Direito e Cidadania | José Benjamin de Lima
Capa / Blog

Chuva ou sol?

06/02/2017

Não sei se a lembrança falha, mas os janeiros parecem estar cada vez mais chuvosos. Com as chuvas contínuas, volumosas, torrenciais, avassaladoras, vêm também, lamentavelmente, as anuais tragédias anunciadas de morte e destruição, produto do mau tempo e da incúria humana. O aguaceiro sem fim dos janeiros nos faz lembrar a fantástica Macondo, de Gabriel Garcia Marques, vítima de chuvas ininterruptas durante exatos quatro anos, onze meses e dois dias. Tomara que não cheguemos a tanto.

Muita chuva traz o desejo contrário de sol, de tempo seco e firme. Mas sol de verão não é brinquedo, não; quando vem, vem fervendo pra valer. E mal chega o calor que nos sufoca, já sentimos saudades da chuva e fazemos nossas danças rituais íntimas para que ela volte. Dir-se-á que em relação ao tempo, assim como em relação à vida, o ser humano é assim mesmo, nunca está satisfeito. Se tem chuva, quer sol; se vem sol, anseia pela chuva. Chuva muita, incomoda. Sol em demasia é desconforto. 

Para que se molhar? Para que suar? Melhor seria ficar no meio termo. Algumas religiões e filósofos sustentam que no caminho do meio está a felicidade. Mas quem consegue controlar os excessos da natureza, de modo a fazê-la comportar-se equilibradamente, segundo os anseios humanos? Seremos capazes de dominá-la algum dia, como uma máquina que o homem programe para servi-lo, de acordo com suas necessidades, conveniências e satisfação? Existirá a plena satisfação humana? O que é bom para um, não é bom para o outro; um diz sim, o outro diz não. Diante das mesmas coisas, um se sente alegre e feliz, o outro fecha a cara. Se os seres humanos não se entendem, nem se controlam nas coisas que lhes são próprias, conseguirão se entender em relação à natureza?

Uma coisa é certa. Se os humanos não conseguem programar ou controlar inteiramente a natureza, são, frequentemente, mestres em desregulá-la. Desequilibrá-la, isso conseguem com sucesso. Uns atribuem os transtornos climáticos que estamos vivendo nas últimas décadas, à ação poluidora do homem que destrói a camada de ozônio e provoca o aquecimento global. Outros afirmam, ao contrário, que estamos entrando numa fase de resfriamento; para esses, as mudanças climáticas não se devem à ação humana, que não tem a menor relevância para alterar significativamente o clima. Durma-se com um barulho desses. 
 
Enquanto cientistas discutem, resta-nos dormir, de preferência com o barulho da chuva. Pelo menos o sono é mais tranqüilo, a temperatura mais amena e não suamos tanto. Sem esquecer, porém: quando a chuva para, vem o calor. Imenso, abafado, sufocante. Os que sustentam estarmos ingressando numa era de resfriamento global devem ser portadores de alguma anomalia que os torna imunes ao quente... Ou serão à realidade?  
 
Um pouco mais de chuva, será o dilúvio, desta vez, provavelmente, sem Noé para salvar a criação, inclusive a raça humana. Um pouco mais de sol, e o mundo acabará em fogo, cumprindo antigas profecias. Chuva ou sol? Sol ou chuva? Os espanhóis e as viúvas devem ter a chave do mistério. (jblima@femanet.com.br)

José Benjamin de Lima

Compartilhar

Comentários

Textos anteriores