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Copa do Mundo 2010 - Última chamada para a África do Sul - parte 2
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Por Victorino Netto

Fique por dentro de tudo o que acontece no cenário futebolístico mundial sob a ótica crítica e informativa do jornalista assisense Victorino Netto.
 
Copa do Mundo 2010 - Última chamada para a África do Sul - parte 2 | 14/11/2009 - 10:22

Nos próximos dias, o mundo acompanhará a definição dos últimos classificados para o mundial da África do Sul. Além do país-sede, outras 22 nações já garantiram seu passaporte. São elas: Japão, Austrália, Coréia do Sul e Coréia do Norte (Ásia); Holanda, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Dinamarca, Sérvia, Itália, Suíça e Eslováquia (Europa); Brasil, Paraguai, Chile e Argentina (América do Sul); México, Estados Unidos e Honduras (América do Norte, Central e Caribe); Gana e Costa do Marfim (África).

Restam agora nove vagas, disputadas na última rodada das eliminatórias africanas (que apontará três classificados a Copa, mas também define vagas na próxima Copa Africana das Nações) e nas repescagens da América (decididas entre Uruguai e Costa Rica), Europa (que define mais quatro vagas), além de Ásia e Oceania (onde Bahrein e Nova Zelândia estarão frente a frente mais uma vez). Confira uma análise sobre esses confrontos e aposte nos seus favoritos:

América do Sul (CONMEBOL) x América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF):

Uruguai x Costa Rica

A repescagem entre os países do continente americano (divido pela FIFA entre CONMEBOL e CONCACAF) coloca frente a frente duas potências de cada federação. E ambas em busca de recuperação. A Celeste Olímpica sonha em retornar a uma Copa do Mundo após ficar de fora de três das últimas cinco edições, inclusive a última, quando caiu diante da Austrália justamente na repescagem. Já os Ticos, que lideraram a fase final de sua zona durante boa parte da disputa, assustam-se com a possibilidade de perder uma vaga que parecia garantida. Ingredientes de um duelo que promete ser tenso e muito catimbado. Se depender do retrospecto histórico os uruguaios têm larga vantagem sobre o adversário, já que enfrentaram os costa-riquenhos em oito oportunidades, obtendo seis vitórias e dois empates. O último encontro entre esses países foi pela Copa América de 2001, quando as equipes se cruzaram em duas oportunidades: uma pela 1ª fase (empate em 1x1, embora a Costa Rica tenha terminado na liderança enquanto o Uruguai acabou em 3º) e outra pelas quartas-de-final (quando a charruas levaram a melhor por 2x1). Mas todos nós sabemos que no futebol continua valendo a máxima de que “no campo são 11 contra 11”!

O selecionado uruguaio insiste em se complicar, mesmo possuindo um grupo qualificado para os padrões sul-americanos. Durante a campanha nessas eliminatórias, o time cometeu vacilos imperdoáveis (principalmente em casa) para uma seleção que deseja chegar a Copa (para não falar da derrota derradeira diante da Argentina, podemos citar os empates em casa contra venezuelanos e equatorianos). Bi-campeão mundial, o país precisará mostrar serviço (como na penúltima rodada da fase anterior, quando arrancou nos minutos finais uma vitória diante do Equador jogando em Quito) se quiser fazer valer seu favoritismo. Porém, a conturbada derrota para os argentinos na última partida ainda deixa seqüelas graves, como as suspensões de Cáceres, Scotti, Diego Pérez e Maximiliano Pereira (que apesar de convocados, só poderão atuar no duelo de volta dessa decisão), além de Cristian Rodríguez (que pegou um gancho de quatro jogos). Outras baixas importantes são as de Fucile, Carlos Valdez e Jorge Martínez ambas por contusão, enquanto Edison Cavani (que participou de sete partidas nessas eliminatórias) acabou ignorado pelo técnico Oscar Tabárez. O treinador uruguaio aposta em homens de sua confiança, o que se pode verificar pela convocação do goleiro Castillo (que anda na reserva do Botafogo), enquanto Carini (que é titular do Atlético Mineiro e está entre os três atletas mais convocados na história de seu país) continua sendo ignorado. Entre os convocados, as maiores novidades ficam por conta dos jovens Sebastián Coates e Nicolás Lodeiro, além de Alvaro Gonzalez (todos do Nacional local). Mas a grande força do time se concentra mesmo no vigor do capitão Lugano e no potencial ofensivo da dupla formada por Luis Suárez e Diego Forlán.

Já a Costa Rica tenta se recuperar do baque sofrido no desfecho da fase final da CONCAF. Na liderança do certame, a seleção acumulou seguidas derrotas em suas últimas partidas, sendo superada em cima da hora por México, Estados Unidos e Honduras. Os resultados ruins foram responsáveis pela saída do técnico Rodrigo Kenton (com quem os Ticos tinham somado 12 dos 15 pontos possíveis no início do hexagonal final), que acabou substituído por Renê Simões (ex-Coritiba). Credenciado por ter levado a Jamaica ao mundial de 1998, o brasileiro chegou mostrando serviço, já que teve de cortar o experiente Gilberto Martínez (jogador do Brescia que havia solicitado a federação local o adiamento de sua apresentação para resolver problemas pessoais e acabou flagrado em uma praia). Para seu lugar, o técnico trouxe de volta o veterano Luis Marín (que esteve presente nos dois últimos mundiais), mas também aposta na juventude de algumas revelações (como José Mena, Bryan Oviedo e Christian Gamboa, que recentemente estiveram no mundial sub-20). Nas partidas sob o comando de Renê os costa-riquenhos até obtiveram bom aproveitamento, vencendo Trinindad e Tobago por 4x0, além de empatar com os Estados Unidos fora de casa (em um jogo que chegaram a estar vencendo por 2x0), resultado que acabou custando à suspensão do treinador, expulso por reclamação. Mas ao menos será possível contar com peças importantes como o arqueiro Keylor Navas (que tem se destacado no Saprissa e vem sendo sondado pelo futebol espanhol), Júnior Díaz (defensor polivalente que conta com a experiência de atuar no futebol europeu), o meia Centeno (que será fundamental na condução da equipe devido a sua experiência), além de Rolando Fonseca, Álvaro Saborío e Bryan Ruiz (esperança de gols no ataque).

O fato de começar essa decisão jogando em casa, diante de um time desfalcado pelas suspensões, obriga os Ticos a tomarem a iniciativa, já que o duelo de volta em Montevidéu, quando a Celeste contará com sua força máxima, promete um ambiente de grande pressão. Vale ressaltar que a arbitragem dos dois confrontos será européia: o espanhol Alberto Undiano Mallenco apita o jogo inicial enquanto o polêmico suíço Massimo Busacca (famoso por mostrar o dedo aos torcedores e supostamente ter feito xixi em campo) comanda a partida derradeira.

África (CAF):

O continente africano também promete grandes emoções, já não define apenas três vagas para o mundial, mas também outros quatro classificados para a próxima Copa Africana das Nações (que classifica os três primeiros colocados de cada chave). No Grupo D já está tudo definido e as equipes entram em campo apenas para cumprir tabela. Gana, que garantiu a vaga antecipadamente, mas perdeu sua invencibilidade na última rodada diante do Benin, encara a seleção de Mali (onde brilham o meia Seydou Keita e o atacante Kanouté), que por sua vez já classificada para o torneio continental. O grande mérito dos Estrelas Negras foi a manutenção da base que chegou as oitavas de final do último mundial (onde figuram estrelas como Muntari, Essien e Appiah) mesclada a novos talentos que começam a se firmar no cenário internacional, como por exemplo, o versátil Tony Annan, volante do Rosenborg (da Noruega) que ganhou a alcunha de “novo Makalele”. O Benin, uma das gratas surpresas da fase final africana e que também já se garantiu na próxima Copa da África, aposta em atletas que se destacam no futebol francês (como o defensor Chrysostome, o meia Sessegnon e o atacante Omotoyossi) para fechar com chave de ouro sua participação diante do já eliminado Sudão.

No Grupo E, a Costa do Marfim também já se garantiu e agora encara Guiné, que com três pontos ainda sonha em terminar entre os três primeiros colocados. Missão ingrata para o time do meia Pascal Feindouno e do atacante Ismaël Bangoura, que terá de enfrentar os marfinenses jogando na casa do adversário. Não bastasse isso, os Elefantes (que vem jogando muita bola e se mantém invictos até aqui) ainda contarão com seus principais jogadores, como Eboué, Zokora, Salomon Kalou, Sanogo, além do matador Drogba (artilheiro do certame africano com seis gols). Já o Malauí (que tem um ponto a mais na tabela) também encara outra grata revelação dessas eliminatórias: a seleção de Burkina Faso. Se o selecionado do meia Pitroipa (que joga no Hamburgo) e do ídolo Dagano não estará na Copa do Mundo, ao menos já se garantiu na próxima edição do torneio continental, assegurando o 2º lugar do grupo com nove pontos. Para os malauienses (onde brilham o meia Kamwendo e o jovem atacante Msowoya), resta a esperança de repetir o desempenho da última rodada, quando interromperam uma série de cinco vitórias consecutivas da Costa do Marfim com um empate por 1x1. O único problema é que desta vez (ao contrário do último jogo) a partida será na casa do rival...

Nas demais chaves, a luta pela vaga está mais equilibrada e será definida apenas no último confronto de cada participante. No Grupo A, a grande surpresa é o Gabão, que sob o comando do francês Alain Giresse mescla a experiência de figurões (como Daniel Cousin, do Hull City) a juventude de novos talentos, como o meia Stéphane Nguéma (do PSG) ou o atacante Roguy Méyé (do Ankaraspor). Após uma arrancada no início dessa fase final, quando chegaram a liderar seu grupo, os gabonenses acabaram esbarrando na experiência dos camaroneses, responsáveis pelas duas derrotas do time até aqui. Os pontos perdidos não apenas ressuscitaram o adversário, como também deixaram o Gabão em uma situação delicada, já que não depende mais apenas de si para se classificar a sua 1ª Copa do Mundo. Para isso, seria preciso vencer o Togo fora de casa, além de contar com um tropeço dos Leões Indomáveis. O retrospecto histórico diante dos togoleses ao menos é animador, já que em sete confrontos, o Gabão se mantém invicto com cinco vitórias e dois empates. No primeiro encontro válido por essas eliminatórias, os gabonenses venceram por 3x0. Porém, mesmo em caso de fracasso, só o fato de garantir antecipadamente o passaporte para sua 4ª Copa Africana de Nações diante de adversários mais tradicionais, já deveria ser motivo de orgulho para o país. Na liderança da chave, os camaroneses seguiram o caminho contrário: após um início irregular, os Leões Indomáveis finalmente mostraram serviço nos últimos três jogos, quando somaram dez de seus onze pontos. Contribuiu para isso o excelente trabalho de outro técnico francês, Paul Le Guen, que assumiu o time em cima da hora, após as saídas do alemão Otto Pfister (que levou Togo ao último mundial) e do interino Thomas N’kono (ex-goleiro que foi titular na excelente campanha da Copa de 1990). Tal atitude foi questionada por grande parte da imprensa especializada, inclusive a brasileira. Muitos alegavam que os dirigentes camaroneses eram amadores ou que Le Guen não sabia “o problema em que estava se metendo”. Porém, com muita personalidade o treinador devolveu a confiança ao grupo, realizado poucas mudanças na base, apesar de algumas modificações significativas na estrutura do conjunto (a transferência da braçadeira de capitão do experiente zagueiro Rigobert Song para a estrela Samuel Eto’o foi a mais clara delas). Resta saber se contra os marroquinos, os Leões Indomáveis confirmarão sua ascensão ou se irão repetir o vacilo de 2006, quando ficaram de fora da Copa na última rodada das eliminatórias. Apesar de não contar com diversos jogadores importantes (casos de El Kaddouri, Kharja, El Zhar, Youssouf Hadji, El Hamdaoui e Chamakh), que atuam no futebol europeu e foram ignorados na lista do treinador Hassan Moumen (substituto do francês Roger Lemerre), os marroquinos merecem respeito por jogar em casa, mesmo que nunca tenham vencido Camarões na história deste confronto (quatro derrotas e quatro empates) e ainda tenham de superar os desfalques de Ouaddou, Chafni e Boussoufa, cortados de última hora por estarem lesionados.

No Grupo B, a briga está centrada em duas potências do continente: Tunísia e Nigéria, ambas já garantidas na próxima Copa Africana das Nações. Na briga pela vaga ao mundial, os tunisianos levam a vantagem de estar na frente com onze pontos, enquanto os rivais somam apenas nove. Após encontrar dificuldades na etapa anterior (quando ficou atrás de Burkina Faso e classificou-se como melhor 3ª colocada), a Tunísia finalmente se acertou nessa fase final. Depois de utilizar 40 jogadores, o português Humberto Coelho parece ter encontrado a base ideal, onde brilham o meia Ben Saada e o atacante Issam Jemâa (que atuam no futebol francês), mas o ídolo Selim Benachour (que causou polêmica no país ao ficar de fora da última Copa) continua sendo ignorado. Os nigerianos acabaram seguindo o caminho contrário, já que realizaram a melhor campanha da fase classificatória, mas acabaram decaindo justamente na “hora H”. Os confrontos diretos contra os tunisianos seriam decisivos para as pretensões dos comandados de Shaibu Amodu e após fazer sua parte jogando fora de casa (empate em 0x0), a Nigéria acabou vacilando justamente diante de sua torcida (quando empatou novamente, dessa vez por 2x2, sofrendo um gol nos minutos finais). Quem pode acabar influenciando em uma possível reviravolta na classificação são Moçambique (3º colocado com quatro pontos) e Quênia (que com um ponto a menos, ocupa a lanterna do grupo). Além de brigar pela vaga restante ao torneio continental, ambas as nações ainda contarão com a vantagem de jogar em casa nas partidas decisivas. Os quenianos encaram as Super Águias, lutando para superar a enorme desvantagem histórica, já que em 10 jogos contra os nigerianos, o time do atacante Dennis Oliech nunca conseguiu vencer (foram nove derrotas, sendo quatro em casa, além de um empate). Já os moçambicanos esperam conter o entusiasmo do líder para assegurar seu retorno a Copa da África, que não disputam desde 1998. O primeiro encontro entre esses países ocorreu justamente pelo torneio continental, mas em 96, quando o duelo acabou empatado em 1x1. A segunda partida aconteceu nessas eliminatórias, quando a Tunísia fez o dever de casa vencendo por 2x0. Resta saber como terminará a primeira partida disputada em solo moçambicano...

Outra disputa ainda mais equilibrada acontece no Grupo C, onde a Argélia tem grandes perspectivas de retornar a uma Copa do Mundo (de onde está afastada desde 1986). Comandados pelo experiente Rabah Saâdane (que já comandou a seleção em outras cinco oportunidades, inclusive na última vez em que o país esteve em um mundial), as Raposas do Deserto ainda estão invictas nessa fase final e somam três pontos a mais que o Egito, segundo colocado e rival no duelo decisivo. Apoiados em um sólido sistema defensivo, onde figuram nomes como Bougherra (que atua no Glasgow Rangers), Yahia (do Bochum) e Belhadj (atualmente no Portsmouth), um meio-campo experimentado (destaque para o Ziani e o capitão Mansouri, que jogam no futebol francês), além de um ataque que mescla a rodagem do artilheiro Saïfi, com o ímpeto de revelações como Ghezzal (do Siena), Matmour (Borussia Mönchengladbach), Ghilas (Hull City) e Djebbour (AEK), a Argélia também conta com a sina egípcia de desapontar seus torcedores quando o assunto é Copa do Mundo. Uma das grandes forças do futebol africano (basta ressaltar que os Faraós são atualmente bicampeões continentais), os egípcios não disputam um mundial desde 1990. De lá para cá, colecionaram seguidos fracassos em termos de eliminatórias, mesmo possuindo elencos qualificados para prosperar nesse objetivo. A participação do país na Copa das Confederações desse ano sintetiza bem essa realidade: após endurecer contra o Brasil na estréia e conquistar uma histórica vitória contra os italianos, a seleção tinha tudo para chegar às semifinais do torneio, mas conseguiu a proeza de perder para os Estados Unidos por 3x0 na última rodada, desperdiçando uma chance de ouro de terminar entre os quatro primeiros colocados. E mesmo contando com atletas tarimbados, como o goleiro El-Hadary, os meias Ahmed Hassan e Aboutrika, além do atacante Amr Zaki, o treinador Hassan Shehata teve de dar o braço a torcer, convocando nomes importantes que até então vinham sendo ignorados (casos de Emad Moteab e Mohamed Zidan). O treinador também apostou na experiência do defensor El Sakka, que com mais de 100 partidas pela seleção, andava aposentado do futebol internacional desde 2007 e deve ser importante na ausência do suspenso Wael Gomaa (que só teria condições em um possível jogo-extra). Mesmo assim, Shehata insiste em deixar de fora das convocações o atacante Mido (com quem já teve tempo suficiente para superar os atritos do passado). Para chegar à redenção, será preciso vencer os argelinos por pelo menos três gols de diferença, o que só aconteceu uma vez em 23 jogos disputados na história desse confronto. Uma vitória por dois gols de diferença igualaria as campanhas e forçaria a realização de um duelo de desempate disputado em campo neutro (no caso, o Sudão), enquanto qualquer outro resultado classifica as Raposas do Deserto. O clima em Cairo é de nervosismo e o ônibus que transportava a delegação argelina acabou apedrejado por torcedores rivais. O incidente apimenta ainda mais os bastidores do confronto, que promete ser um dos mais tensos dessa rodada. Já a outra partida da chave vale vaga na próxima Copa Africana das Nações. Já a outra partida da chave vale vaga na próxima Copa Africana das Nações. A seleção da Zâmbia (que até começou bem, mas depois se complicou) garante a vaga com um empate diante de Ruanda, que por sua vez atua em casa precisando de uma vitória por no mínimo dois gols de diferença para repassar a lanterna do grupo ao rival, assegurando a 3º colocação. 

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