Sobre a convocação da seleção
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Por Victorino Netto

Fique por dentro de tudo o que acontece no cenário futebolístico mundial sob a ótica crítica e informativa do jornalista assisense Victorino Netto.
 
Sobre a convocação da seleção | 13/11/2009 - 13:11

Nos próximos dias, o Brasil encara um tour pela Ásia, onde enfrenta a Inglaterra (jogando no Catar!) e Omã. Antes de debochar do segundo adversário, é preciso saber que a seleção asiática vive excelente momento, já que no início do ano conquistou pela 1ª vez a Copa do Golfo (tradicional torneio entre os países do Golfo Pérsico) vencendo potências locais como Iraque (atual campeão asiático e que disputou a última edição da Copa das Confederações), Bahrein (que briga com a Nova Zelândia por um lugar no próximo Mundial), além da tradicional Arábia Saudita (que caiu nos pênaltis após empate sem gols na grande decisão). Os maiores destaques da equipe comandada pelo francês Claude Le Roy (que já comandou diversas seleções africanas como Camarões, Senegal e Gana) são o goleiro Ali Al Habsi (que atua no futebol inglês pelo Bolton) e o matador Imad Al Hosni (maior artilheiro da seleção nacional com 30 gols).

 

 

Ciente disso, aí sim se pode dizer que a partida contra Omã não representa grande perigo aos pupilos de Dunga e até abre margem para os testes propostos pelo treinador. O problema é que contra o English Team (que renasceu sob a batuta do italiano Fabio Capello) dificilmente haverá brechas para isso e apostas mais ousadas podem acabar se tornando um duro golpe na auto-estima tupiniquim (que convenhamos, anda alta até demais).

 

 

Júlio César, Maicon, Daniel Alves, Lúcio, Juan, Luisão, Gilberto Silva, Felipe Melo, Josué, Ramires, Elano, Kaká, Robinho, Nilmar e Luis Fabiano só não jogam a próxima Copa do Mundo se algo muito ruim acontecer. Presentes constantemente nas convocações de Dunga, eles contam com total confiança do treinador não apenas pelo futebol, mas também pela “cumplicidade” com a filosofia de trabalho implantada pela nova comissão técnica da seleção. Motivos que também indicam que são grandes as chances dos “relembrados” Doni e Júlio Baptista (atletas da Roma) se firmarem no grupo dos garantidos, já que apesar de alguns problemas em seu clube (o primeiro sofre com as contusões, enquanto o segundo não atravessa grande fase), ambos os jogadores sempre tiveram moral com o “professor” (que por sinal, peitou os dirigentes romanistas que não queriam liberar os atletas).

 

 

Seguindo esse raciocínio, restariam apenas mais sete vagas no time que disputará o mundial da África do Sul. O terceiro goleiro deve mesmo ser Victor, que tem grandes chances de ser um dos poucos representantes do futebol nacional na Copa. Hélton e Gomes, que atuam na Europa, também ganharam algumas oportunidades, mas parecem não ter agradado a comissão técnica o suficiente para ganhar maior sequência. Na zaga, Miranda se prejudicou com a expulsão infantil na última partida das eliminatórias e que terá de ser cumprida no Mundial, o que abre espaço para algumas alternativas. E se Aléx (do Chelsea) se queimou após pedir dispensa da Copa das Confederações, outros jogadores tem a grande chance de cavar um lugar no time. O “gigante” Naldo parece um forte azarão nesse sentido: firme na defesa do Werder Bremen, não é de hoje que o rapaz nascido em Londrina e que se profissionalizou em Caxias do Sul pelo Juventude firmou-se como um dos melhores defensores da Bundesliga, praticando sempre um futebol vigoroso, apoiado em 1,98 de altura e um chute extremamente violento. Estilo que se adéqua perfeitamente ao perfil idealizado por Dunga, mas também pode contribuir para uma defesa suplente extremamente limitada no quesito técnico, levando-se em consideração as características semelhantes de Luisão. Aliás, o corte do zagueiro do Benfica também abriu espaço para Thiago Silva, que quando estava parado era constantemente convocado, mas andava meio esquecido desde que começou a jogar no Milan. Adaptado ao futebol italiano, o atleta vem provando seu valor desde os tempos do Fluminense e tem qualidade suficiente para estar entre os 23 jogadores que disputarão a próxima Copa. Como os titulares “incontestáveis” da posição andam sofrendo com as contusões, atenção redobrada com o setor não faria mal algum...

 

 

A lateral-esquerda continua em aberto, o que não é segredo para ninguém. Por isso, as apostas de Dunga são válidas e merecem crédito, mesmo que o resultado ainda não tenha sido positivo. Fábio Aurélio agrada muitos que acompanham de perto o futebol europeu e tem características interessantes: ao contrário da maioria dos brasileiros, aprendeu a defender, o que é essencial para os laterais no futebol atual. Levando em conta o constante apoio pela direita, o ex-jogador do São Paulo não teria problemas para se segurar, subindo apenas “na boa” e contrabalanceando o setor. O problema é que Fábio Aurélio acabou prejudicado pelas contusões, sendo convocado apenas posteriormente ao ápice de suas performances (que se deram principalmente em meio a última temporada), enquanto ainda readquire ritmo de jogo.

 

 

A outra aposta foi em Michel Bastos, ex-atleta de Atlético Paranaense, Grêmio e Figueirense, que vem jogando muito bem no futebol francês, mas nem por isso deixa de ser uma convocação alternativa. Desde 2006 em terras gaulesas, o atleta tornou-se um dos principais nomes do Lille graças ao potente pé esquerdo, extremamente calibrado quando o assunto são as bolas paradas (um fundamento que anda enfraquecido no scratch canarinho) até se transferir na atual temporada para o renovado time do Lyon. A questão é que desde quando desembarcou na França, o brasileiro tem atuado como um meio-campista, ou seja, mais a frente e sem tantas obrigações defensivas, o que coloca em dúvida sua capacidade de se readaptar a função de origem (mesmo que o jogador já tenha comprovado sua capacidade no Sul do país atuando justamente na lateral).

 

 

Pelo meio-campo, o companheiro de Josué na reserva também provoca dúvidas na cabeça dos torcedores. Anderson era grande aposta de Dunga, mesmo quando não vinha obtendo grandes oportunidades no Manchester United, mas acabou decepcionando. Atualmente, usufruindo de maior regularidade no time de Alex Ferguson, tem sido ignorado por Dunga, que parece ter elegido outro conterrâneo como favorito a vaga: o ex-gremista Lucas, atualmente no Liverpool. Outro atleta que também começa a receber mais oportunidades na atual temporada da Premier League, o jovem de cabelos esguios precisa deixar de lado as atuações inseguras e reeditar as exibições que lhe valeram uma bola de ouro nos tempos de Olímpico se quiser carimbar seu passaporte para a África do Sul. Fábio Simplício é mais uma novidade e só ganhou uma chance de última hora graças à contusão de Ramires. Revelado pelo São Paulo, o volante atua a cinco anos no futebol italiano, onde evoluiu tanto tecnicamente quanto taticamente, tornando-se titular do Parma e posteriormente do Palermo, seu clube atual. Um atleta que tem características admiradas pelo capitão do tetracampeonato e pode cair no gosto do técnico caso aproveite uma eventual oportunidade.

 

 

O meia Alex, ex-Inter e atualmente no futebol russo, também é outro nome que tem grandes possibilidades de cair nas graças de Dunga. Quando saiu do Colorado, era considerado por muitos críticos como um dos principais atletas do futebol nacional. Em Moscou, tornou-se rapidamente ídolo no Spartak, continuando em evidência com o técnico brasileiro. Não é de hoje que este nobre escriba repete que Alex tem totais condições de desempenhar pela a esquerda a função que Elano ou Ramirez (até mesmo Daniel Alves) executam pela direita. Não apenas por ser um jogador extremamente polivalente, mas também devido a sua grande consistência tática. Aliás, essa versatilidade faz de Alex uma interessante (e desesperada) alternativa para a lateral-esquerda, função que já ocupou com sucesso (e de improviso) nos tempos de Internacional e que também pode ser encarada como uma carta na manga do jogador na briga pela posição. E como Diego (que vinha bem até se prejudicar com as contusões) e Ronaldinho Gaúcho (que tem melhorado gradativamente), ambos atuando no futebol italiano, parecem definitivamente fora dos planos, é bom não dar muita sopa para o azar...

 

 

Outro meia-esquerda que recebeu uma chance nessa série de amistosos é Carlos Eduardo, mais um atleta revelado no futebol gaúcho e que atua com regularidade (e relativo destaque) no futebol alemão. Desde o ano passado, o ex-gremista tem sido uma das boas alternativas ofensivas do caçula Hoffenheim, que surpreendeu em sua estréia na Bundesliga. Até por isso torna-se inevitável uma comparação com o ex-flamenguista Renato Augusto, que também se destaca em gramados germânicos gastando a bola pelo Bayer Leverkusen (um dos líderes da atual temporada), mas nem por isso foi lembrado pelo treinador (embora atualmente esteja contundido).

 

 

No ataque, a convocação de Hulk agradou a todos os fãs do futebol mambembe/alternativo, onde nobres operários brilham todos os dias em estádios espalhados pelo mundo à custa de muito suor e talento. Mas nem por isso deixou de ser uma contradição. Basta ressaltar que Liédson se tornou um dos maiores atacantes do Sporting ao longo dos últimos seis anos sem nunca ter recebido uma chance sequer (a ponto de ter se naturalizado português, tornando-se peça fundamental no grupo que assegurou vaga na repescagem), enquanto o atacante do Porto foi convocado de forma meteórica (assim como ascendeu na renovada equipe dos Tripeiros). O oportunismo demonstrado na atual temporada portuguesa não é para ser desprezado, embora outros atacantes brasileiros estejam jogando tão bem (ou até mais) mundo afora, como por exemplo, Grafite (que começa a decair no Wolfsburg) ou até mesmo Amauri (que voltou a marcar gols na Juventus). Mas de fato, nenhum provoca tantas expectativas nos torcedores quanto Adriano (em grande fase no Flamengo e que conta com a simpatia de Dunga) ou Alexandre Pato (que mesmo afastado da seleção nas últimas convocações, tem demonstrado grande potencial no Milan).

Enfim, a contagem regressiva para o mundial já está valendo e as oportunidades para testes tendem a se tornar cada vez mais escassas. Duas partidas seguidas são uma sequência rara para aqueles que buscam um lugar ao sol da África do Sul e se o jogo contra os ingleses promete ser um teste de fogo, a partida contra Omã pode ser uma boa chance para tentar encher os olhos do treinador. Resta saber como estará o prestígio (da seleção, dos jogadores testados e de Dunga) após estes confrontos...

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