Você viu a maioria deles em campo recentemente no título da Copa das Confederações (20 dos 22 convocados para ser mais preciso)...
No próximo dia 12 de agosto vai ver novamente no amistoso contra a “poderosa” Estônia, cujos maiores destaques (já que ídolos locais como o goleiro Poom e o defensor Reim se aposentaram recentemente) são os defensores Jääger (que atua na 2ª divisão italiana) e Klavan (do AZ da Holanda), além do atacante Oper (maior artilheiro da seleção, mas que em baixa, talvez nem chegue a jogar)...
E muito provavelmente verá defendendo a camisa da seleção brasileira no ano que vem, já que Dunga parece cada vez mais decidido sobre com quem contar (ou não) para a próxima Copa do Mundo.
Não considero que a função do jornalista seja discutir a convocação baseado em “achismos”, já que esse tipo de critério caracteriza-se como a semente do “se”, que todo boleiro sabe, não existe no mundo do futebol. Porém, é extremamente pertinente que o país onde todo cidadão se considera potencialmente técnico da seleção comece a refletir sobre as opções que formarão o scratch canarinho no próximo mundial. Então façamos isso juntos (em destaque, os nomes presentes na última convocação de Dunga):
GOLEIROS - Júlio César e Gomes
Jogando em alto nível (se atualmente não é o melhor, ao menos está
entre os melhores goleiros do futebol mundial), Júlio César é o titular indiscutível para a Copa e só não estará na África do Sul ano que vem caso aconteça um desastre. Com Doni (seu reserva favorito) machucado, Dunga aproveita para procurar um nome que preencha a lacuna da camisa 23. Entre aqueles que estiveram na última Copa das Confederações, Gomes (que ganhou crédito nos tempos de PSV, mas vem de uma temporada oscilante no Tottenham) ganha mais uma chance e parece estar na frente de Victor na disputa. O gremista (que naquela ocasião vestiu a 12 e parecia ser o reserva imediato de Júlio César) está à frente de uma boa safra cultivada em gramados nacionais e que poderia ser melhor explorada pelo treinador brasileiro. Além dele, nomes como Felipe (do Corinthians) e Fábio (do Cruzeiro) mostram condições de envergar a “amarelinha”, assim como já fez o rubro-negro Bruno (que atualmente caiu um pouco de produção) ou poderia vir a fazer o colorado Lauro (se já não possuísse 28 anos e mantivesse a evolução que vem apresentando nessa temporada).
Atuando no futebol internacional, jovens valores como Diego Alves e Renan já
receberam algumas chances, mas não chegaram a se firmar, assim como Hélton, que possui mais bagagem, mas nunca foi uma unanimidade nem entre os adeptos portistas. Rubinho, irmão de Zé Elias e que atua na Genoa, não teve a mesma sorte, assim como o promissor Diego Cavallieri, que preferiu o ostracismo no Liverpool a sucessão da titularidade no Palestra Itália (abrindo mão também de um lugar na seleção). Para aqueles que defendem a idéia de que a terceira vaga para o posto de arqueiro deveria ser ocupada por um atleta mais experiente, ainda pesam nomes como Rogério Ceni, Marcos, Dida ou até mesmo Fábio Costa. Nesse caso, a melhor pedida seria o palmeirense, já que o são-paulino recupera-se de contusão (assim como o santista) e até recentemente não vivia grande fase (assim como o rossonero). Em todo caso, Dunga não parece inclinado a seguir esse caminho...
LATERAIS – Maicon e Daniel Alves; André Santos e Filipe
Não há nenhum segredo pela direita, a não ser sobre quem será o titular
até o ano que vem. Maicon sempre teve mais moral com o treinador da seleção, mas é fato que nos últimos tempos, Daniel Alves tem se tornado um jogador fundamental (demonstrando versatilidade e jogando improvisado na lateral esquerda ou no meio) e decisivo (marcando gols importantes em momentos cruciais, como nas semifinais da Copa das Confederações). Além disso, o futuro é promissor com jovens valores como Ilsinho (que no Shaktar Donetsk é basicamente um meia), Rafinha (que nas Olimpíadas mostrou que prefere a seleção ao
Schalke); Rafael (queridinho de Ferguson no Manchester United e candidato a sucessor de Gary Neville); além de Felipe Mattioni (que surgiu como uma promessa no Grêmio e terá a chance de confirmar essa perspectiva no Milan). Essa turma basicamente acaba com as possibilidades de valores nacionais como Vítor, Leo Moura ou Jonathan serem notados. Potencialmente, Cicinho poderia estar nessa briga, não fossem as contusões e as dificuldades de se firmar na Europa...
Porém, todas as certezas do lado direito tornam-se dúvidas quando o assunto é a lateral-esquerda. Dunga começou apostando em Gilberto, mas logo percebeu que a má fase do lateral (rebaixado ao time B do Tottenham) o impediria de dar conta do recado. O jeito foi confiar em
Marcelo, até então jogando mais adiantado no Real Madrid e que talvez por isso não tenha confirmado as expectativas na seleção. Após solicitar ser escalado em sua posição de origem, o garoto voltou a ganhar uma chance na seleção, onde tem moral com a comissão técnica, mas contundido, vai ter de esperar um pouco mais para jogar. Quem se deu bem nessa história foi Filipe, que atualmente brilha no La Coruña jogando ofensivamente e promete agarrar a oportunidade recebida. Se prosperar nesse sentido, pode ser um achado tão grande quanto seu xará do meio-campo. Kléber e Juan foram os melhores do país durante os dois últimos anos, mas justamente quando caíram de produção é que receberam chances. André Santos então aproveitou para se tornar a referência jogando em alto nível pelo Corinthians, mas ainda não repetiu esse desempenho jogando na seleção. O mais concreto que conseguiu na Copa das Confederações foi uma transferência internacional...
Se a vaga ainda está aberta, o momento deveria ser propício para testar novas opções na função. Fábio Aurélio, do Liverpool, têm a simpatia de
grande parte da mídia especializada e era cotado nesse sentido, mas acabou contundindo-se na “hora H”. Além disso, possui características mais técnicas, preenchendo os requisitos desejados pelo treinador para o cargo, que busca uma opção para contrabalancear o constante apoio pela direita. Caso queira repetir a dose pela esquerda, boas opções também não faltariam ao treinador brasileiro: Adriano (do Sevilla) nunca teve uma chance de verdade; Maxwell (que assim como Ibrahimovic, acaba de trocar a Inter pelo Barça) seria interessante se conseguisse repetir o desempenho apresentado nos tempos de Ajax; Michel Bastos se destacou na última temporada da Ligue 1 jogando mais adiantado e após ser contratado pelo Lyon, pode chamar a atenção não apenas dos franceses; mesmo caso de Júlio César, que tem sido escalado por Hélio dos Anjos como meia no Goiás, mas que tem futebol suficiente para ocupar a lateral-esquerda (sua posição de origem) de qualquer clube do país. Fábio (do Manchester United), ainda não convenceu como o irmão gêmeo, mas a longo prazo também pode se tornar uma opção interessante.
ZAGUEIROS – Lúcio e Juan, Luisão e Miranda
Outro setor que não parece ter muitos segredos, já que Lúcio e Juan são titulares indiscutíveis desde a Copa de 2006 e não parecem sujeitos a perder o lugar cativo conquistado ao longo dos últimos anos. Na reserva
imediata desde essa mesma época figura Luisão (rumando do Benfica para a Fiorentina), que aparentemente parece garantido no Mundial, tornando ainda mais interessante (e concorrida) a briga pelo segundo posto de suplente. Apesar de convocado com regularidade nos últimas partidas, Miranda está visivelmente abaixo da média, cometendo erros primários (e frequentes) para quem foi o melhor zagueiro do país nas últimas temporadas. Seus principais concorrentes, Alex (que terá de mostrar vida pós Scolari e Hiddink no Chelsea, além de se livrar das constantes lesões) e Thiago Silva (que precisará repetir no Milan o mesmo futebol apresentado nas Laranjeiras), atualmente demonstram melhores condições para ocupar essa vaga.
Correndo por fora, mas com reduzidas chances, estão nomes que disputaram a última Bundesliga: Naldo e Aléx Silva (atualmente contundido) já tiveram inclusive suas chances, enquanto Breno (se já estava difícil jogar no Bayern, imagine agora tendo como técnico van Gaal, que não é nenhum fã de brasileiros?) e Henrique (que esteve muito bem no Leverkusen e retorna ao Barça) devem ser opções mais concretas apenas para 2014. E se para essa turma as perspectivas de jogar a próxima Copa não são das melhores, discutir apostas mais incomuns como Edu Dracena, David Luiz e Bordon ou destaques caseiros como Léo, Rever, André Dias, Chicão ou William é gastar saliva...
VOLANTES – Gilberto Silva e Felipe Melo, Josué e Kléberson
Se no Mundial de 90 o atual treinador da seleção foi escolhido pela crítica como símbolo
de uma equipe limitada, atualmente a bola da vez é Gilberto Silva. Se você não é fã do jogador, com certeza não está sozinho nessa causa, já que 9 em cada 10 brasileiros têm alguma reclamação para fazer do volante. E não é para menos, afinal desde sua última temporada pelo Arsenal, Gilberto não vem jogando bem. Atualmente no Panathinaikos, o atleta nunca mais apresentou exibições consistentes como àquelas da campanha do penta, o que também o impede de se firmar no futebol grego. Mesmo assim o jogador segue contanto com a confiança de Dunga e parece ter um lugar cativo no time, o que continua sendo motivo de insatisfação para muita gente. Mas pense bem... Poderia ser pior, não? Basta lembrar que Dunga chegou a acreditar que Fernando Menegazzo seria capaz de ocupar essa vaga...
Porém, o técnico da seleção também merece crédito por ter descoberto em Felipe Melo uma excelente opção para o setor. Não pelo otimismo exacerbado escancarado nas narrações ufanistas da rede que monopoliza
o futebol nacional, mas porque mesmo jogando bem em grandes centros como Espanha e Itália, pouca gente daria o crédito que o garoto necessitava para desenvolver todo seu potencial (que acabou culminando com uma interessante transferência para a Juventus). Pode-se dizer que Felipe conseguiu suprir as expectativas criadas em torno de jovens valores que atuam na Premier League, mas que ainda não conseguiram se garantir na seleção, casos de Lucas e Anderson. O primeiro começou a jogar com mais regularidade na última temporada do Liverpool, embora ainda não tenha repetido as promissoras atuações de quando surgiu no Grêmio. Já o segundo, que também começou no clube como um meia esquerda extremamente habilidoso, parece indefinido desde que se transferiu para a Inglaterra, onde passou a ser escalado por Alex Ferguson como um centre midfielder.
Outros nomes também acabaram não se confirmando. Edmílson chegou a ser escolhido como capitão do time nas primeiras partidas sob o comando do novo treinador, mas em baixa no futebol espanhol e sofrendo com seguidas lesões foi rapidamente esquecido. Mineiro também foi convocado diversas vezes, atuando sempre como titular, mas ao ser relegado ao ostracismo no Chelsea seguiu o mesmo caminho na seleção. Dudu Cearense, Tinga e Renato, apesar de atuarem com regularidade por seus respectivos clubes, tiverem a mesma sina.
Um dos poucos a se manter no grupo foi Josué, convocado desde o início da “Era Dunga” e que teve uma temporada mágica como capitão do
Wolfsburg, jogando em alto nível, embora atualmente seja reserva da seleção. Quem tem sido chamado para compor o banco ao seu lado é o contestado Kléberson, que para muitos “já deu o que tinha de dar” com a amarelinha (mesmo não comprometendo em nenhum dos jogos em que foi inserido no time durante a última Copa das Confederações). Além disso, o flamenguista pode cumprir a função normalmente executada por Ramires ou Elano, o que aumenta sua versatilidade. Entre os jogadores que poderiam ser observados com mais atenção, destacam-se opções interessantes como o jovem Denílson (do Arsenal) ou o corintiano Elias: o primeiro tem a simpatia de muita gente que acompanha mais de perto o futebol internacional (embora, na última temporada inglesa, tenha dado sinais de que ainda não atingiu o ápice de sua maturidade), enquanto o segundo teve desempenho destacado nas conquistas de seu clube nesse ano e tornou-se peça fundamental no esquema de Mano Menezes.
Outros nomes, digamos mais “alternativos”, comentados nas rodas de torcedores (principalmente da molecada fã de vídeo-game) são: Thiago Motta (que ganhou um voto de confiança de José Mourinho na Inter), Matuzalém e Wendel (vivendo boa fase respectivamente por Lazio e Bordeaux), além dos esdrúxulos e ainda mais improváveis Taddei (que cansado de esperar uma chance, já está se naturalizando italiano), Marcelo Mattos (atuando no Panathinaikos), Rafael Carioca (recuperando o prestígio no Spartak Moscou), Cléber Santana (que está trocando o Atlético de Madrid pelo Internacional), Fábio Rochemback (jogando em Portugal com o Sporting), Edinho (ex-Inter e agora no Lecce), Fábio Simplício (no Palermo desde 2006) e Martinez (que ano passado trocou o Palmeiras pelo Cerezo Osaka). No Brasil, as convocações mais discutíveis são as de Pierre, Cristian (que acaba de deixar o Timão), Magrão, Rodrigo Souto, Jean, Richarlyson e Willians, defendidas principalmente pelos adeptos de suas agremiações, assim como os veteranos Edu (Corinthians) e Emerson (Santos), que acabam de retornar ao país.
MEIAS – Kaká e Ramires; Elano e Júlio Baptista
Em determinadas situações, Dunga demonstra uma filosofia de trabalho
parecida com aquela adotada por Parreira na campanha do tetra (quando o atual técnico do Brasil ainda vestia a camisa 8 e também a braçadeira de capitão): equipes voluntariosas que dão prioridade ao sistema defensivo e a posse de bola, ao jogo no erro do adversário, acreditando sempre nos lampejos de genialidade de seus poucos atacantes para alimentar os contra-ataques... Um “estilo/esquema” de jogo definido, que não comporta os melhores do país, mas acomoda perfeitamente aqueles que melhores se encaixam nas funções pré-estabelecidas. Muitos torcedores não entendiam em 94 como Zinho podia ser titular... Ou pior, como Raí poderia esquentar o banco para Mazinho!!! Assim como hoje em dia muitos questionam a presença de Elano ou a ausência de Ronaldinho Gaúcho...
A maior estrela do setor, e com certeza o grande craque do time, é sem dúvida alguma Kaká. Após trocar o Milan pelo Real Madrid, o meia ainda enfrentará uma temporada incerta em termos de clube, mas na seleção é presença indispensável. Não só pelo fato de ser o responsável pela ligação do meio com o ataque, mas também porque se apresenta com facilidade na frente, chegando de trás como um terceiro atacante. Sem falar que suas arrancadas explosivas caem como uma luva no esquema da seleção, tornando-se uma das maiores armas (e esperanças) no contra-ataque da equipe de Dunga...
O companheiro de Kaká costuma jogar mais aberto pela direita, com liberdade (porém relativa timidez) ofensiva, cumprindo também funções defensivas devido ao constante apoio por aquela lateral. Durante muito tempo esse cargo foi ocupado por
Elano, que embora amargasse a reserva no Manchester City, sempre manteve um lugar cativo na seleção. Porém, durante a Copa das Confederações, Ramires se aproveitou da grande fase vivida no Cruzeiro para cavar sua vaguinha, jogando bem quando entrou no time (mas nem tão bem quando começou jogando) e desbancando o até então titular. Agora no Benfica, o ex-cruzeirense terá a concorrência dos argentinos Aimar e Dí Maria, o que talvez o obrigue a atuar mais recuado em relação à forma como vinha jogando em Belo Horizonte, relembrando assim sua origem, já que começou como volante. Em contrapartida Elano deve jogar com maior regularidade por seu novo clube (o Galatasaray), contando com total confiança do técnico alemão Christoph Daum (fã declarado de jogadores brasileiros).
Até pelas características, um nome que também poderia rivalizar por uma vaga nessa função seria Hernanes, convocado por Dunga nas últimas
Olimpíadas e alardeado intensamente ao final da última temporada, mas que com atuações irregulares em 2009 parece parcialmente fora dos planos. Realidade que pode se alterar caso o atleta continue subindo de produção (como vem fazendo sua equipe). Outro jogador que já desempenhou papel parecido e se encaixaria no perfil desejado por Dunga é Ibson, que recentemente trocou a Gávea pelo futebol russo, mas parecia ainda melhor durante a última temporada nacional (quando foi igualmente ignorado). Já Diego Souza tem sido o maior destaque da boa campanha do Palmeiras nesse Brasileirão e levando-se em conta suas passagens por Fluminense, Flamengo e Grêmio, pode-se afirmar que o atleta tem totais condições de se adaptar às necessidades da função.
Quem vem complementando o setor (e o banco de reservas) é Júlio Baptista, apesar de o jogador atuar mais adiantado no futebol europeu. E se não sobra talento a “La Bestia”, o que também não tem faltado é disposição e uma pitada de estrela (vide o último empate contra o Equador pelas eliminatórias). As ausências mais criticadas são nomes
polêmicos, como Ronaldinho Gaúcho, que se não vive grande fase desde que deixou o Barcelona e nunca se encontrou na seleção, ao menos não fica devendo nada individualmente a nenhum de seus concorrentes. Seus defensores alegam que o “showman” poderia tornar-se uma interessante opção pela esquerda ou então uma alternativa na ausência de alguma peça chave do time. Assim como Diego, credenciado pelas grandes exibições no Werder Bremen, mas que parece não contar com a simpatia de Dunga. A recente transferência para Juventus é uma vitrine concreta para o “parceiro de Robinho” pleitear um lugar nesse grupo. Quem também trocou recentemente de clube, mas mantém o futebol de alto nível é Alex (ex-Inter), que poderia inclusive desempenhar a função exercida por Ramires ou Elano, só que atuando pelo lado esquerdo (uma opção que Dunga não dispõe no momento). Se o leitor lembrou-se de outro Alex (o do Fenerbahçe), é preciso considerar que atualmente o jogador já tem 31 anos e apesar de continuar jogando bem na Turquia, não teve chances nem quando vivia o auge de sua forma (Mancini, com 29 e jogando cada vez menos desde que trocou Roma por Milão, enfrenta a mesma realidade). Outra opção interessante pela esquerda poderia ser Douglas, que foi muito bem na campanha de acesso do Corinthians no ano passado. Porém, se com o apoio da Fiel já estava difícil ser notado, imagine agora jogando no futebol dos Emirados Árabes Unidos...
Entre os brasileiros que se destacaram na última temporada européia, figuram nomes como os jovens Carlos Eduardo, Cícero e Renato Augusto (que brilharam na última Bundesliga), além de Jadson, Fernandinho e Willian (que ajudaram o Shaktar Donetsk a faturar a última Copa da UEFA). Outros como Lincoln (do Galatasaray), Edu (que está trocando o Real Betis pelo Inter de Porto Alegre) e Éderson (do Lyon) ou Roger e Felipe (atualmente faturando petrodólares no Catar) seriam apostas mais improváveis, assim como jogadores que deixaram o país recentemente (Thiago Neves e Maicosuel) ou as melhores opções disponíveis no mercado nacional: Wágner (Cruzeiro), Tcheco ou Souza (Grêmio), Madson e Paulo Henrique (Santos), Cleiton Xavier (Palmeiras), Jorge Wagner (São Paulo), Marcelinho Paraíba (Coritiba), Carlos Alberto (Vasco) ou Andrezinho (Internacional). Porém, se até Daniel Carvalho teve sua vez, não custa nada sonhar...
ATAQUE – Robinho e Luís Fabiano; Diego Tardelli e Nilmar
Apesar das indefinições de seus componentes, pode-se dizer que o
sistema ofensivo de Dunga (ao menos o titular) está praticamente confirmado. Desde que saiu do Real Madrid, Robinho tem vivenciado períodos de irregularidade cada vez maiores e insistido em jogadas improdutivas com a camisa da seleção. Nem por isso deixa de contar com a credibilidade de Dunga, que confia plenamente nas pedaladas e lampejos do ex-santista. Porém, com a concorrência de Adebayor, Tévez e Santa Cruz no Manchester City, a tendência é que o brasileiro comece a mostrar mais serviço daqui para frente...
Complementando a dupla de frente está o “homem gol” Luis Fabiano, que desde a sofrida partida do Morumbi contra o Uruguai, válida pelas eliminatórias, vem fazendo valer seu lugar na seleção com gols e muita disposição (mesmo desempenho apresentado no Sevilla). Uma transferência para o Milan significaria uma vitrine ainda maior para o “Fabuloso”, que até o Mundial da África do Sul ainda vai ter de conviver com o “fantasma” do Fenômeno. Apesar das polêmicas declarações envolvendo o nome do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não restam dúvidas de que Ronaldo contará com o apoio popular (e midiático) a caminho da Copa. E se continuar marcando gols pelo Corinthians (e permanecer literalmente de boca fechada!) tem tudo para mobilizar o país ao seu favor, como já ocorreu com Romário em 2002. Resta saber se Dunga também vai bancar Felipão...
E se os titulares parecem definidos, pode-se dizer que as demais vagas ainda estão em aberto. É fato que Nilmar vinha jogando bem no Inter e tem sido convocado com regularidade, mas será preciso observar mais de perto o desempenho do atacante em sua segunda passagem pelo futebol europeu. Alexandre Pato, de certa forma, até tem prosperado no Milan, porém ainda não conseguiu repetir na seleção desempenhos mais consistentes. Insatisfeito, Dunga até acena com novidades, mas acaba sendo incoerente em suas opções. Um exemplo é a aposta em Diego Tardelli, um jogador que apesar de viver ótima fase em 2009, era reserva do Flamengo até a última temporada. Ao convocar o artilheiro do Galo (que deve aproveitar essa vitrine para arrumar uma boa transferência na janela de agosto), o treinador acaba ignorando outros atletas que tem demonstrado maior regularidade ao longo das últimas temporadas.
Um bom exemplo está lá mesmo em Minas Gerais, onde o “Gladiador” Kleber se firmou como principal referência ofensiva do Cruzeiro (repetindo o desempenho destacado que apresentou no Palmeiras em 2008) e poderia se tornar uma interessante opção para o lugar de Luis Fabiano (além de também possuir a vantagem de atuar em conjunto com
“Fabigol”, formando uma dupla rompedora, caso necessário). Grafite é outro jogador que viveu uma fase mágica em 2008/2009: campeão nacional, artilheiro da Bundesliga, além de ser eleito o melhor jogador da última temporada alemã. Além deles, Amauri foi outro nome bastante comentado graças às excelentes atuações na Serie A, que culminaram com uma transferência para a Juventus, aonde o brasileiro vem mantendo a média. Porém, depois de ganhar apoio popular em terras tupiniquins e também ser cogitado na seleção italiana via naturalização, o atleta foi estrategicamente convocado (fora do prazo) por Dunga para um amistoso contra a Azurra antes da Copa das Confederações e diante da recusa em ser liberado por seu clube, não deve mais ser lembrado. Dentre as demais alternativas disponíveis estão jogadores como Rafael Sóbis e Vágner Love (que chegaram a ser titulares no começo da “Era Dunga); Jô (que também já teve suas chances com o atual comandante); Keirrison (que precisará recuperar no Benfica a credibilidade perdida em sua reta final de Palestra Itália); Hulk (cada vez mais em alta no Porto); Brandão (que tem anotado seus golzinhos no Olympique de Marselha); além de Ricardo Oliveira e Araújo (ambos jogando no Oriente Médio).
Apesar de chegar ao fundo do poço na Inter de Milão e ainda encarar os treinamentos de forma amadora, Adriano voltou a jogar bem e marcar gols no Flamengo. Com um pouco mais de juízo também poderia ser uma interessante opção de “artilharia pesada” para o ataque brasileiro. Ainda em território nacional, jovens como Taison, Dentinho ou Neymar, com um pouco mais de experiência, seriam os maiores candidatos a reserva de Robinho, enquanto Fred (em baixa no Fluminense), Fernandão (que acaba de ser repatriado pelo Goiás) ou Kléber Pereira (sofrendo com as contusões no Peixe) constituem as melhores opções para o posto de centroavante dentre as que ainda não foram citadas.
E para quem já apostou até em Afonso Alves, não deveria custar muito prestar um pouco mais de atenção em jogadores como Raffael Araújo (Hertha Berlim), Nenê (que após se consagrar em Portugal, acaba de se transferir para o Cagliari), Ari (AZ Alkmaar), etc...
Opções não faltam, mas e você, leitor... Convocaria quem?!?
A África do Sul é logo ali...
Passaporte Carimbado – Júlio César, Maicon, Daniel Alves, Lúcio, Juan, Gilberto Silva, Felipe Melo, Josué, Kaká, Robinho e Luis Fabiano.
Quase Lá – Doni, Luisão, Elano e Ramires.
Boas Chances – André Santos, Júlio Baptista e Nilmar.
Lutam p/ se firmar – Gomes e Victor (G); Miranda, Alex e Thiago Silva (Z); Kleber e Marcelo (L); Kléberson e Anderson (V); Alexandre Pato (A).