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Guia da Copa das Confederações 2009 - parte 2
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Por Victorino Netto

Fique por dentro de tudo o que acontece no cenário futebolístico mundial sob a ótica crítica e informativa do jornalista assisense Victorino Netto.
 
Guia da Copa das Confederações 2009 - parte 2 | 14/06/2009 - 22:56

 

De 14 a 28 de junho será disputada a Copa das Confederações, uma prévia do mundial, que dará ao público uma dimensão do que se pode esperar da Copa do Mundo na África do Sul. Além das confirmações (ou não) em relação às condições do país-sede, também teremos a oportunidade de acompanhar alguns dos maiores favoritos a conquista da taça em 2010 (casos de Brasil, Itália ou Espanha), além de seleções medianas, porém não menos interessantes (como Estados Unidos, Egito, Iraque, Nova Zelândia ou os próprios anfitriões do torneio). Confira uma análise sobre tudo que acontece nessa disputa:

 

Grupo B

Brasil

Como se classificou: Campeão da Copa América 2007

Perspectiva: O título

O cara: Kaká (meio-campo)

Coadjuvantes de peso: Júlio César (goleiro), Robinho e Luis Fabiano (atacantes)

Fique de Olho: Ramires (meio-campo), Alexandre Pato e Nilmar (atacantes)

Confira a lista de convocados

Atual campeão do torneio e seleção com maior número de participações em Copa das Confederações, o Brasil chega à África do Sul em busca de afirmação, mas vivendo um momento raro de estabilidade. Isso porque nas duas últimas rodadas das eliminatórias, o esquadrão Canarinho emplacou uma impiedosa goleada de 4x0 contra os uruguaios (jogando em Montevidéu), além de bater na raça (e de virada) o Paraguai em Recife, assegurando a liderança na CONMEBOL. Resultados que garantem parcialmente a tranquilidade aos comandados de Dunga...

Durante a disputa da competição, o treinador terá a chance de encontrar as definições que ainda procura restando um ano para o início do Mundial, além de colocar suas convicções a prova contra adversários do nível de Itália ou Espanha (que poderá cruzar com nossa seleção nas fases seguintes). Caso volte a apresentar desempenhos pífios (como nos últimos confrontos contra Bolívia, Colômbia e Equador), o trabalho de Dunga com certeza voltará a ser questionado, mas é inegável que um bom desempenho no torneio (leia-se o título!!!) trará a confiança que esse grupo tanto precisa. Sem se esquecer é claro, dos erros cometidos em 2005, quando a seleção então comandada por Carlos Alberto Parreira garantiu o troféu com sobras, vestindo definitivamente a carapuça de favorito para a Copa e acabou fracassando em gramados alemães.

O estilo de jogo implantado por Dunga lembra muito aquela equipe do tetracampeonato, também comandada por Parreira e capitaneada pelo atual técnico do Brasil. Com um sistema defensivo bem guarnecido e que usufrui da boa fase vivenciada pelos seus componentes, o time depende de lampejos do ataque para garantir suas vitórias, acreditando sempre na velha máxima de que o “futebol brasileiro é o melhor do mundo e pode resolver qualquer parada”. Uma realidade que oscila entre bons resultados contra adversários fortes (que costumam sair para o jogo e abrir espaço para o contra-ataque) e complicações contra seleções teoricamente inferiores (que se fecham na defesa e obrigam o Brasil a tomar a iniciativa).

Entre os titulares, Júlio César vive uma fase espetacular que o coloca como um dos melhores do mundo em sua posição e consequentemente titular absoluto da camisa número 1. Ainda na defesa, a dupla de zaga formada por Lúcio e Juan joga junto desde o Mundial de 2006 e merece crédito pela regularidade apresentada desde então. Porém, as laterais seguem indefinidas, já que Maicon parece ter perdido a posição para Daniel Alves na direita, enquanto a esquerda ainda não tem um dono (Gilberto, Marcelo e Juan não corresponderam às expectativas, Kléber ainda não se firmou, André Santos é uma aposta e Fábio Aurélio sequer teve uma chance).

Entre os volantes, Gilberto Silva garantiu um lugar mesmo sendo massacrado pela crítica. Já Felipe Melo pegou o bonde andando, mas ganhou moral com Dunga e também parece garantido, embora o reserva Josué tenha feito uma excelente temporada pelo Wolfsburg. Quem também tem crédito com Dunga, mas precisa ficar esperto com a concorrência é Elano, que terá a sombra do ascendente Ramires. Na condução do ataque, Kaká é a grande estrela do time e após assinar o Real Madrid, ganha o status de “galáctico”. No ataque, Robinho é outro que conta com cadeira cativa desde o início da “Era Dunga” e mesmo não vivenciando os bons tempos de Vila Belmiro, tem jogado melhor na seleção do que no Manchester City. Por outro lado, Ronaldinho Gaúcho, que passou por uma temporada morna no Milan, parece cada dia mais longe dos planos. Já Luis Fabiano espera aproveitar o torneio para garantir definitivamente o posto de matador do time, não só pela concorrência dos jovens Alexandre Pato e Nilmar, mas também porque a tendência é que o lobby em torno de medalhões como Ronaldo e Adriano (repatriados recentemente pelo futebol nacional) cresça cada vez mais até a Copa.

Enfim, essa Copa das Confederações será o momento ideal para a seleção brasileira se definir rumo ao Mundial da África do Sul. E para o torcedor decidir de vez se abraça ou não a equipe de Dunga!!!

Itália

Como se classificou: Campeã Mundial em 2006

Perspectiva: O título

O cara: Cannavaro (defensor)

Coadjuvantes de peso: Buffon (goleiro), Pirlo (meio-campo) e Luca Toni (atacante)

Fique de Olho: Santon (defensor), Montolivo (meio-campo) e Giuseppe Rossi (atacante)

Confira a lista de convocados

Desde a conquista da última Copa do Mundo, a Azurra nunca mais conseguiu repetir o futebol eficiente que garantiu o tetracampeonato ao país em gramados alemães. Após a conquista, Marcello Lippi resolveu abandonar o cargo e a escolha de seu substituto seguiu a tendência mundial de dar oportunidade a um ex-jogador da seleção ainda sem experiência no cargo (no caso, Donadoni). Porém, os resultados não apareceram e na última Eurocopa, com exibições irregulares, a Itália acabou caindo nas quartas-de-final diante da futura campeã Espanha, após passar sufoco na fase de grupos. Com o fracasso, Donadoni não resistiu à pressão e acabou entregando o boné para justamente... Marcello Lippi, que voltou ao comando aclamado pela opinião pública.

Desde então o técnico iniciou o processo de reconstrução do time, que já não conta mais com algumas estrelas do porte de Nesta, Totti e Del Piero, mas ainda apresenta diversos nomes que estiveram presentes na conquista de 2006. Aos poucos, Lippi também vem dando chance para jovens valores, introduzindo novas opções ao esquema de jogo italiano. No gol figura o qualificado Buffon, há anos entre os melhores do mundo em sua posição e que não tem nos reservas Amelia e De Santics um sucessor qualificado. O sistema defensivo ainda conta com caras manjadas como Zambrotta, Grosso e Cannavaro (que deve perder os primeiros jogos do torneio devido a uma contusão). Chiellini também já conquistou seu espaço nessa defesa, que ainda pode apresentar uma revelação: o lateral da Inter de Milão, Santon, de apenas 18 anos. Dossena, que teve uma temporada regular no Liverpool é outro que tem chances de jogar.

No meio, mais figurinhas carimbadas, como Gattuso (que retorna após um período inativo devido a uma contusão) e o talentoso Pirlo, que ainda cumprem o papel de volantes, além de Camoranesi e De Rossi, que tem mais liberdade para atacar. Já Montolivo e Pepe (que tem crédito com o treinador) fazem parte da nova safra convocada por Lippi. Na frente, o grandalhão Luca Toni continua marcando presença, assim como Gilardino e Iaquinta (que retornaram a seleção pelas mãos do atual técnico). Quagliarella (sempre em boa fase pela Udinese) e o novato Giuseppe Rossi também ganharam uma chance de disputar essa Copa das Confederações. Enquanto isso, a dupla de ataque da Sampdoria (composta pela promessa Pazzini e o polêmico Cassano), que viveu momentos de gala na última temporada da Serie A, acabou ignorada da lista final.

Apesar do futebol italiano não viver um grande momento e esse torneio servir mais como um laboratório para definir a equipe que defenderá o título no mundial do ano que vem, é bom os adversários abrirem os olhos com a Azurra, que costuma aprontar surpresas sempre que chega desacreditada...

Estados Unidos

Como se classificou: Campeões da Copa Ouro 2007.

Perspectiva: Ganhar experiência

O cara: Donovan (meia/atacante)

Coadjuvantes de peso: Howard (goleiro), Bocanegra (defensor) e Beasley (meio-campo)

Fique de Olho: Bradley e Freddy Adu (meio-campistas) e Altidore (atacante)

Confira a lista de convocados

Tudo ia bem com a seleção americana até o início dessa Copa das Confederações. Além de cair em um grupo dificílimo, que conta com duas potências como Brasil e Itália, os ianques ainda foram desbancados pelos rivais costa-riquenhos na liderança das eliminatórias da CONCACAF a uma semana do torneio. Mesmo assim, a situação dos Estados Unidos na tabela ainda é confortável e o time deve marcar presença na próxima Copa do Mundo com folgas (assegurando assim sua 6ª participação consecutiva em mundiais). O grupo comandado pelo treinador Bob Bradley é relativamente jovem (média de 24 anos), mas tem se sobressaído em termos continentais, ainda mais com a crise enfrentada pelo futebol mexicano (reconhecidamente a maior força da CONCACAF). A maior parte dos atletas atua fora do país (apenas cinco jogadores jogam em clubes locais), o que também fornece ao conjunto americano maior rodagem internacional.

Entre os titulares que devem começar o torneio, figuram o goleiro Tim Howard, que disputa a Premier League com o Everton. Seu reserva imediato, Brad Guzan, também vem do futebol inglês, onde defende o Aston Villa. Na defesa, que estará desfalcada de Hejduk, brilham o capitão Bocanegra (que joga no Rennes) e o grandalhão Onyewu (zagueirão do Standard Liège). O meio também não irá contar com o experiente Mastroeni, embora seja o setor mais abastecido de talentos: o veloz DaMarcus Beasley e o ídolo local Donovan são as grandes estrelas, enquanto nomes como Michael Bradley (filho do treinador), o brasileiro naturalizado Benny Feilhaber e a eterna promessa Freddy Adu, ainda buscam um lugar ao sol...

No ataque, mesmo com apenas 26 anos, Clint Dempsey é um dos nomes mais experientes, com mais de 50 partidas com a camisa da seleção. Porém, quem vem chamando a atenção nos últimos jogos é a revelação Jozy Altidore, que atua no futebol espanhol e tem apenas 19 anos. Como opções ainda restam Casey e Davies, que venceram a concorrência contra Brian Ching e Eddie Johnson (convocados com maior frequência) por uma vaga no elenco que vai a campo na África do Sul. Sem grandes ambições na competição, os ianques ao menos jogarão sem a pressão por resultados contra brasileiros e italianos, o que teoricamente pode ser favorável ao time. Afinal, em caso de fracasso, as lições assimiladas por muitos desses jovens que compõe a base americana (e que vão estrear em um mundial no ano que vem) podem ser de grande valor.

Egito

Como se classificou: Campeão da Copa da África em 2008

Perspectiva: Ganhar experiência

O cara: Ahmed Hassan (meio-campo)

Coadjuvantes de peso: El-Hadary (goleiro), Aboutrika (meio-campo) e Zidan (atacante)

Fique de Olho: Fathy (defensor), Hosny Abd Rabo e Shawky (meio-campistas)

Confira a lista de convocados

Maior campeão continental com seis conquistas e considerado uma das grandes forças da África, o Egito insiste na sina de tropeçar em eliminatórias para a Copa do Mundo. Atualmente, mesmo ostentando o rótulo de bicampeão africano e contando com jogadores renomados que atuam no futebol europeu, os Faraós estão em situação complicada no grupo 3, somando apenas um ponto e ocupando a lanterna da chave, atrás de Argélia e Zâmbia, além de Ruanda (pelos critérios de desempate). Para piorar a situação, o polêmico treinador Hassan Shehata perdeu um de seus principais jogadores para a disputa dessa Copa das Confederações, o atacante Amr Zaki (que atua no futebol inglês), contundido. A expectativa com o corte de Zaki era pela convocação de Mido Hossan (que também atua na Premier League), mas o fato é que desde o episódio protagonizado pelo atacante nas semifinais da Copa da África de 2006 (quando o atleta discutiu asperamente com Shehata após ser substituído e acabou suspenso da seleção por seis meses pela federação egípcia), as chances têm sido cada vez mais escassas.

Apesar de afirmar não temer nenhum dos gigantes de seu grupo, o técnico do Egito sabe que as chances de surpreender Brasil ou Itália no torneio são muito pequenas e por isso mesmo o maior objetivo durante essa disputa será dar um pouco mais de rodagem internacional aos Faraós (que estão afastados das grandes competições desde a Copa de 90), em uma espécie de preparação de luxo. Caso consiga alguma coisa contra um desses favoritos, os egípcios gastarão todas as suas fichas no confronto contra os norte-americanos, que poderá assegurar uma eventual (e surpreendente) classificação as semifinais.

Para isso, a fanática torcida acredita no potencial do goleiro El-Hadary, um dos melhores do continente e que atua no futebol suíço. Entre os defensores, destaque para os zagueiros Hany Saïd e Gomaa, além dos laterais Fathy e Moawad, todos presença constante entre os titulares. No meio-campo, os jovens Hosny Abd Rabo e Shawky são responsáveis pela contenção, enquanto o capitão Ahmed Hassan é quem dita o ritmo das jogadas. O talentoso Aboutrika (uma das grandes estrelas do Egito) completa o setor, embora nas últimas partidas o atleta tenha frequentado o banco de reservas. Algumas ausências também causaram surpresa, entre elas a não inclusão de nomes como Ghaly e Barakat, que estão entre os melhores jogadores do país nessa posição. O mesmo pode-se dizer do atacante Motaeb, preterido na lista final dos convocados que vão a campo na África do Sul. Fator que deve gerar ainda mais expectativas em relação ao desempenho de Zidan, que atua na Bundesliga e é reconhecidamente o melhor jogador do enfraquecido ataque egípcio. Atuando dentro de seu continente, a seleção ao menos deve encontrar apoio nas arquibancadas. Só não se sabe se os comandados de Shehata mais uma vez irão apresentar um desempenho próspero em gramados africanos ou voltarão a tropeçar em competições internacionais...

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- Clique aqui e confira tudo sobre a história da Copa das Confederações na excelente matéria de Ubiratan Leal no site da Trivela

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