De 14 a 28 de junho será disputada a Copa das Confederações, uma prévia do mundial, que dará ao público uma dimensão do que se pode esperar da Copa do Mundo na África do Sul. Além das confirmações (ou não) em relação às condições do país-sede, também teremos a oportunidade de acompanhar alguns dos maiores favoritos a conquista da taça em 2010 (casos de Brasil, Itália ou Espanha), além de seleções medianas, porém não menos interessantes (como Estados Unidos, Egito, Iraque, Nova Zelândia ou os próprios anfitriões do torneio). Confira uma análise sobre tudo que acontece nessa disputa:
Grupo A
Espanha
Como se classificou: Campeã da Eurocopa
2008
Perspectiva: O título
O cara: Xavi (meio-campo)
Coadjuvantes de peso: Casillas (goleiro), Villa e Fernando Torres (atacantes)
Fique de Olho: Piqué (defensor), Busquets (meio-campo) e Llorente (atacante)
Confira a lista de convocados
Apontada por muitos como a melhor seleção do momento, a Espanha
chega a Copa das Confederações credenciada pela conquista na última Eurocopa e a liderança absoluta no ranking da FIFA há mais de um ano, ostentando uma invencibilidade de 32 jogos. Não bastasse isso, Vicente del Bosque já acumulou dez vitórias consecutivas no comando da Fúria (feito inédito para um início de trabalho em qualquer seleção), desde que substituiu Luis Aragonés (posteriormente a conquista do título continental).
Mantendo a base de seu antecessor, o treinador (que convocou força máxima em busca do título inédito) também abriu espaço para jovens revelações do futebol local (casos de Diego López, Piqué, Busquets, Juan Mata e Llorente), mas continuou ignorando o “ícone” Raúl da mesma forma como já fizera Aragonés. A base do time que deve sobrar nessa 1ª fase (mas que fatalmente irá cruzar com Itália ou Brasil nas
semifinais) é composta pelo goleiro e capitão Casillas, garantia de segurança na baliza espanhola, além de defensores gabaritados como Sergio Ramos, Puyol, Marchena e Capdevila. Mesmo assim, o setor defensivo (vale lembrar que os volantes Marcos Senna e Iniesta, ambos titulares e contundidos, não disputam o torneio) pode ser considerado o “calcanhar de Aquiles” de um grupo que do meio para frente esbanja talento.
Começando por Xavi (que vive grande fase no Barcelona e é uma das
referências transição entre a defesa e o ataque), passando por Xabi Alonso e Riera (que costumam ser titulares no Liverpool), sem falar em Fàbregas (que aos poucos vem recuperando sua melhor forma, interrompida pelas contusões) ou nos ariscos David Silva e Santi Cazorla, o que não falta a Fúria são opções para a composição do meio-campo, já que no ataque, a dupla Torres e Villa reina absoluta. Bem abastecidos e em grande fase, ambos os jogadores representam perigo a qualquer defesa adversária do mundo, sendo responsáveis por grande parte dos gols do conjunto espanhol. Mas em todo caso, Dani Güiza segue de prontidão na reserva para qualquer eventualidade.
Resta saber se em gramados sul-africanos o país vai continuar confirmando as expectativas otimistas ou retornar a velha sina de amarelar nos momentos decisivos, como costumam reafirmar os pessimistas de plantão!!!
África do Sul
Como se classificou: País-Sede
Perspectiva: Chegar às semifinais
O cara: Pienaar (meio-campo)
Coadjuvantes de peso: Mokoena (defensor), Sibaya e Modise (meio-campo)
Fique de Olho: Khune (goleiro), Bongani Khumalo e Bryce Moon (defensores)
Confira a lista de convocados
A Copa das Confederações não será apenas um ensaio para os sul-
africanos testarem suas possibilidades de abrigar o Mundial do ano que vem, mas também o teste definitivo para uma seleção em busca de afirmação no cenário internacional. Basta lembrar que nas eliminatórias (apesar de já classificada como país-sede, a equipe disputava uma vaga no próximo torneio continental) o grupo comandado por Joel Santana fracassou diante da Nigéria e acabou fora da fase final. Joel continuou dando
sequência ao trabalho iniciado por Carlos Alberto Parreira, que vinha em busca de novas opções para compor a base dos Bafana Bafana. Aos poucos, figurinhas carimbadas (como o lateral Carnell, o meia Buckley, além do atacante Zuma) foram perdendo suas “cadeiras cativas”, cedendo lugar a jovens promissores que atuam na liga nacional. Como no caso do goleiro Rowen Fernández (do alemão Arminia Bielefeld), barrado pelo novato Itumeleng Khune (destaque do Kaizer Chiefs) de apenas 21 anos. O estopim dessa situação se deu com a divulgação da lista de convocados para a disputa do torneio, que excluiu o nome do experiente defensor Nasief Morris e do ídolo Benni McCarthy (atacante do Blackburn).
O “treinador da prancheta” aposta nos defensores Mokoena (provável
capitão), Booth e Masilela como garantia de segurança em um setor ainda questionado. Mais a frente, uma legião de atletas que atuam no país costumam figurar entre os titulares, como Davids, Dikgacoi, Modise (eleito como melhor jogador da última temporada) e Tshabalala. Além deles, van Heerden (que retorna a seleção), o incansável Sibaya e o destaque Pienaar (que joga no Everton) dão um toque de qualidade ao meio-campo. A maior carência está no ataque, onde Fanteni, Mphela e Mashego ainda estão em busca de afirmação com a camisa da seleção, enquanto Henyekane (artilheiro do último nacional) ficou de fora convocação.
Se os resultados não forem positivos (leia-se passar ao menos da 1ª
fase), ao contrário do que muita gente na imprensa nacional acredita, Joel Santana corre riscos de sequer chegar a Copa do Mundo, já que a pressão da imprensa sul-africana aliada ao amadorismo dos dirigentes e a irracionalidade dos torcedores locais, pode se tornar uma situação insustentável. Porém, mesmo com tantos problemas, a África do Sul e esse conjunto têm tudo para saírem fortalecidos dessa disputa se fizerem a lição de casa contra Iraque e Nova Zelândia (adversários teoricamente mais fracos). Daí para frente, o que vier é lucro...
Iraque
Como se classificou: Campeão da Copa da Ásia 2007
Perspectiva: Ganhar experiência
O cara: Younis Mahmoud (atacante)
Coadjuvantes de peso: Noor Sabri (goleiro), Nashat Akram e Hawar Mulla Mohammed (meio-campistas)
Fique de Olho: Ali Rehema (defensor), Karrar Jassim (meio-campo) e Alaa Abdul-Zahra (atacante)
Confira a lista de convocados
Os iraquianos viveram um verdadeiro sonho em 2007, quando chegaram a Copa da Ásia desacreditados e surpreenderam o mundo com sua capacidade de superação. Jogo após jogo, a equipe comandada pelo
brasileiro Jorvan Vieira se uniu e foi derrubando favoritos (como Austrália, Coréia do Sul e Arábia Saudita, que estão entre as grandes forças do continente), até chegar a inédita conquista, fato extremamente importante para uma nação que há vários anos vêm sendo arrasada pela guerra. Aliás, esses conflitos influenciaram diretamente no desempenho da seleção, que durante os anos 80 foi considerada a grande força do Golfo e uma das maiores potências do continente, participando da Copa de 1986 e de todas as Olimpíadas disputadas naquela década. Porém, posteriormente sob o comando de Uday Hussein (filho do ditador Saddam Hussein), o esporte do Iraque viveu um período obscuro, aonde atletas chegaram inclusive a serem torturados.
A retomada começou com a excelente campanha nas Olimpíadas de
2004, quando o selecionado iraquiano treinado pelo ex-atacante Adnan Hamad apresentou uma geração talentosa e promissora, que terminou o torneio em um honroso 4º lugar. Não por acaso, 11 jogadores daquele time faziam parte do grupo que faturou o título continental há dois anos, já sob o comando de Jorvan Vieira. Após a conquista, o brasileiro deixou o cargo, abrindo mão da disputa das eliminatórias para o mundial, onde o Iraque (treinado pelo norueguês Egil Olsen e posteriormente por Adnan Hamad) caiu em um grupo complicado e vivenciou períodos de instabilidade que culminaram com a desclassificação precoce.
De lá para cá, Jorvan já retornou ao cargo, não resistiu à pressão e
acabou saindo novamente. O interino Radhi Shenaishil assumiu provisoriamente até que a federação local finalmente escolhesse um substituto qualificado para a missão de fazer uma boa campanha nessa Copa das Confederações: o sérvio Bora Milutinovic (único técnico a ter participado de cinco Mundiais consecutivos com diferentes seleções). E sem muito tempo para implantar sua filosofia de trabalho, o treinador convocou a mesma base que vem jogando junta nos últimos cinco anos, atualmente com uma média de idade abaixo dos 25 anos, para mais uma vez tentar surpreender.
No gol, Noor Sabri transmite segurança a sua defesa, onde também figuram bons nomes como Ali Rehema e Bassim Abbas, porém ausência do lateral Haidar Abdul-Amir não era esperada. O meio-campo não contará com o volante Qusay Munir (contundido), mas ainda tem diversas opções, casos de Abu Al-Hail (que aos 32 anos é o atleta mais velho do grupo), a revelação Karrar Jassim, os ofensivos Mahdi Karim, Salih Sadir e Hawar Mulla Mohammed, além do talentoso Nashat Akram, que costuma ditar o ritmo do setor. Na frente, a esperança de gols fica por conta de Emad Mohammed e a grande estrela do grupo, o capitão Younis Mahmoud.
Nova Zelândia
Como se classificou: Campeã da Copa da Oceania
2008
Perspectiva: Ganhar experiência
O cara: Smeltz (atacante)
Coadjuvantes de peso: Vicelich (defensor), Elliott (meio-campo) e Killen (atacante)
Fique de Olho: James (meio-campo), Brockie e Wood (atacantes)
Confira a lista de convocados
Entre as seleções que compõe a atual Copa das Confederações, os
neozelandeses (que caminham para sua terceira disputa) são superados apenas por Brasil e Estados Unidos em número de participações. Porém, nas edições de 1999 e 2003, o time caiu ainda na 1ª Fase, sem somar um ponto sequer em seis jogos, além de sofrer 17 gols enquanto anotou apenas dois. Se o retrospecto não é favorável, ao menos o momento vivenciado pelo futebol do país é de estabilidade. Desde a migração da Austrália para a Confederação Asiática, a Nova Zelândia reina absoluta na Oceania, tanto que conquistou o título continental do ano passado com um pé nas costas e agora aguarda a definição do 5º colocado da Ásia para a disputa da repescagem valendo uma vaga no Mundial. Não por acaso, o treinador Ricki Hebert (ex-jogador que em 1982 esteve com os All Whites na única participação do país até hoje em uma Copa do Mundo) já adiantou que o objetivo durante a competição é dar experiência ao grupo, que carece de mais rodagem internacional.
A maior parte do elenco atua no inexpressivo futebol local ou então em ligas menos
badaladas (como a americana, escocesa, finlandesa ou grega). Para piorar, o defensor Ryan Nelsen, presença constante entre os titulares do Blackburn e considerado um dos jogadores mais importantes do país, acabou se contundido e está fora da disputa. Para seu lugar foi chamado o experiente Ivan Vicelich, que esteve em todas as participações do país na competição e renunciou temporariamente de sua aposentadoria da seleção. A base que deve entrar em campo também será composta pelo goleiro Paston e os defensores Mulligan e Lochhead. No meio, Oughton atua como cabeça-de-área, enquanto o capitão Tim Brown e o talentoso Elliott comandam o setor. Mais a frente, a dupla de ataque deve ser formada por Smeltz (eleito melhor jogador da Oceania nas duas últimas temporadas) e o ídolo Killen (que joga no Celtic).
Apesar da média de idade ficar na casa dos 26 anos, muitos jovens, como
os defensores Scott e Old, além do atacante Brockie (que estiveram com a seleção nos Jogos Olímpicos de Pequim no ano passado) ganharam uma chance de integrar o elenco neozelandês. Kris Bright, que passou por todas equipes de base neozelandesas é outro exemplo. A maior surpresa ficou por conta da convocação do grandalhão Wood, destaque da seleção sub-17 recém promovido aos profissionais do West Bromwich.
Adeptos de um jogo de contato e força física, além de muitas bolas alçadas na área adversária (o esporte mais popular da Nova Zelândia é o rúgbi, enquanto a maior referência no futebol são os britânicos), os All Withes sucumbiram diante de adversários inexpressivos (como a Tanzânia) na preparação para essa Copa das Confederações, mas também chegaram a endurecer contra a Itália (vendendo cara uma derrota por 4x3). A expectativa da torcida é que durante o torneio essa pegada não diminua, para quem sabe sonhar com uma inédita classificação a fase seguinte...
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