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Fim de semana campeão!!!
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Por Victorino Netto

Fique por dentro de tudo o que acontece no cenário futebolístico mundial sob a ótica crítica e informativa do jornalista assisense Victorino Netto.
 
Fim de semana campeão!!! | 07/05/2009 - 01:10

O futebol brasileiro está diretamente ligado aos campeonatos estaduais já que se estabeleceu e estruturou alicerçado nas rivalidades regionais. É claro que os dias de hoje clamam por uma releitura desse tipo de competição, que na verdade limita a pré-temporada dos clubes sobrecarregando o inadequado calendário nacional; sustenta os interesses de federações comandadas por dirigentes inescrupulosos; cria uma relação de dependência dos clubes do interior, que já não conseguem se sustentar com pernas próprias (leia-se: sem dinheiro público ou envolvimento de investidores suspeitos); entre outros fatores. Sem falar na ilusão que um título como esse pode causar nos torcedores, crentes de que os “decadentes” estaduais sirvam de parâmetro para competições mais equilibradas, como o Brasileirão ou a Libertadores (onde é preciso muito mais do que credibilidade para ser campeão...). Mas também é inegável que mesmo com tantos problemas, os campeonatos estaduais ainda têm seu charme, driblando estádios precários, ingressos caríssimos, campos esburacados, arbitragens polêmicas e times mistos, para marcar gols de placa em suas retas finais, diante de arquibancadas lotadas e a atenção geral da nação. Não por acaso, a rodada do final de semana definiu a sorte de muita gente Brasil afora...

Campeonato Paulista:
O Corinthians confirmou as expectativas no duelo decisivo contra o Santos (empate em 1x1) e assegurou seu 26º título estadual de forma invicta. Apesar de ter começado o torneio de forma irregular, o Timão relembrou suas origens e cresceu na reta final da competição, mostrando muita garra, superação e raça nos “mata-matas”, sem falar no futebol inspirado de Ronaldo. Além do Fenômeno (eleito craque da competição pela Federação Paulista), outros jogadores foram fundamentais para essa conquista, como o goleiro Felipe, os defensores Alessandro, Chicão e André Santos ou os volantes Cristian e Elias (que também entraram na “Seleção do Paulistão”). Sem falar no capitão William (que quase foi incendiado ao levantar a taça!!!), Douglas, Jorge Henrique, Dentinho... Alicerçados em uma sólida defesa e um contra-ataque letal, os corinthianos confiam no técnico Mano Menezes para uma retomada em sua trajetória no retorno a elite do futebol nacional. Resta provar do que essa equipe será capaz na disputa do Brasileirão...






Campeonato Carioca:
Em uma final emocionante (como tem sido nos últimos anos), o Flamengo venceu o Botafogo (mais uma vez) e sagrando-se (tri) campeão carioca. Tantos parênteses apenas comprovam como a superioridade rubro-negra vem se reafirmando em âmbitos locais, diferentemente do que acontecia na década de 80 (período áureo do Mengo, quando o clube se expandia nacionalmente). E também que existem muitas coisas que “só acontecem com o Fogão”, vide a artilharia de gols-contra protagonizada pelo “matador” Émerson nas finais do carioca!!! Mesmo com o otimismo em relação ao gerenciamento do clube, os salários em dia e a administração competente de Ney Franco, o time novamente “bateu na trave” e acabou com o vice-campeonato. E se dessa vez não dá para colocar a culpa em Cuca, também não adianta ignorar o fato de que com jogadores como Maicossuel e Victor Simões, o máximo que o clube de General Severiano irá conseguir é repetir o “chororô” dos últimos anos, mesmo que seja com dignidade!!! Já os flamenguistas, que tiveram um começo desanimador (quando caíram diante do Resende nas semifinais da Taça Guanabara) e posteriormente cresceram muito de produção (principalmente depois que Cuca deixou de bancar o “Professor Pardal), precisam começar a se preparar para a vida sem o capitão Fábio Luciano (que vai fazer falta!!!) e não podem repetir o erro dos últimos anos, quando acreditaram que as conquistas locais fossem um termômetro para medir o desempenho do time no nacional. Afinal, se quiser ir além da hegemonia estadual (definitivamente alcançada após essa conquista), o Flamengo precisará de muito mais do que os Obina’s ou Adriano’s da vida...

Minas Gerais:
No Campeonato Mineiro, o Cruzeiro comprovou o que todo mundo já sabia e com um empate por 1x1 diante do Atlético garantiu mais uma conquista estadual (de forma invicta, diga-se de passagem). A superioridade celeste é tamanha que o clube não sabe o que é perder para o rival há 12 jogos consecutivos, sem falar no fato de que conquista o estadual pelo segundo ano consecutivo com direito a goleada por 5x0 no primeiro duelo da decisão. A hegemonia até faz com que os torcedores da Raposa desdenhem da competição, mas nunca impede os mesmos de tripudiar em cima dos inimigos alvinegros. Os atleticanos inclusive parecem ter perdido o fio da meada com as derrotas (na Copa do Brasil o clube também caiu diante do Vitória no 1º jogo com uma derrota por 3x0), mandando embora o treinador Émerson Leão às vésperas do Campeonato Brasileiro. Para seu lugar chega Celso Roth (que saiu pela porta dos fundos no Grêmio) e a grande incógnita agora paira sobre os “queridinhos” de seu antecessor (como Renan ou Fabiano). De concreto mesmo, apenas o faro de gols apurado do matador Diego Tardelli, o que talvez não seja suficiente para uma campanha mais digna no Nacional, como o 7º lugar conquistado no Brasileirão de 2003, ano em que o Galo era comandado justamente por Roth e obteve seu melhor desempenho na “era dos pontos corridos”!!!





Vitória

Paraná e Bahia:
Aproveitando-se de um dos piores regulamentos dos últimos tempos (ou das brechas permitidas por ele), o Atlético Paranaense voltou ao topo do pódio no futebol paranaense com uma tranqüila vitória sobre o Cianorte (por 2x0) na última rodada do octogonal final, justamente no ano do centenário do Coritiba, seu maior rival. O último título do Furacão em seu estado havia sido em 2005, mas é inegável que o episódio do “super-mando de campo” (aliado aos dois pontos extras conquistados para a fase final) apaga (e muito) o brilho dessa conquista (menos para os fanáticos torcedores atleticanos, é claro!!!). Por isso mesmo o bravo J. Malucelli (que já foi Malutrom) merece uma menção honrosa. Não fossem os dois pontos de lambuja garantidos pelo regulamento ao clube de melhor campanha na 1ª Fase, o mais novo “Corinthians Paranaense” ficaria um ponto à frente do Atlético na tabela, garantindo a inédita conquista mesmo atuando fora de casa!!!


Atlético Paranaense

No Campeonato Baiano, o Vitória (que jogava em casa e podia perder por até um gol de diferença) foi surpreendido pela gana do Bahia (que não conquista o estadual desde 2001) ao sair perdendo por 2x0. A chuva que castigou o Barradão parecia até o prenúncio de uma tragédia para o Rubro-Negro (que brigava pelo tricampeonato), mas graças à estrela do veterano Ramón e do matador Neto Baiano, a rotina prevaleceu em Salvador e os tricolores mais uma vez repetiram a sina diante do maior rival (como tem acontecido nos últimos anos). Desespero que não justifica as lamentáveis cenas protagonizadas após o duelo, quando os jogadores de ambas as equipes proporcionaram um verdadeiro show de horrores aos seus torcedores em uma verdadeira “batalha campal”, que apenas minimizou a importância do futebol.






Goiás

Goiás e Santa Catarina:
Pelos lados do Centro-Oeste, o Goiás recuperou seu orgulho ferido no estadual após dois vice-campeonatos consecutivos e a derrota na primeira partida das finais para o Atlético (eterno rival que vive um período ascendente) com a vitória por 2x0 no jogo decisivo. O desabafo de gente importante como Hélio dos Anjos e Iarley, afirmando que um clube do tamanho do esmeraldino não pode ser tratado como coadjuvante, comprova que o fator motivante para essa virada se deve principalmente a suposta desconsideração oferecida pelo rival. Uma importante lição para os rubro-negros no desafio que está por vir na Série B... Porém, o relativo descuido do Goiás (denunciado pelos rivais no STJD por ter escalado irregularmente o volante Everton na primeira partida da decisão, já que a suspensão automática não poderia ter sido cumprida dentro da suspensão preventiva), que pode custar no “tapetão” a perca dessa importante conquista, não é exatamente aquilo que se espera de uma equipe de 1ª divisão...


Avaí

Já no Sul do país, o Avaí (que esse ano retorna a elite do futebol nacional) também reverteu à situação desfavorável diante da Chapecoense e recuperou o título estadual (que não vinha desde 1997). Após a derrota por 3x1 no primeiro confronto das finais, os torcedores avaianos que foram até a Ressacada ficaram ressabiados ao assistirem o time de Chapecó abrir a contagem logo aos nove minutos. Porém, com uma atuação de gala do meia Marquinhos (eleito melhor jogador da competição), os donos da casa conseguiram reverter a desvantagem e chegaram aos 3x1 durante o tempo normal. Na prorrogação, jogando por um empate, o Avaí foi ainda melhor e já no 1º tempo garantiu o resultado ao abrir 3x0 no placar. Tanto que no final da partida, o goleiro Eduardo Martini ainda se deu ao luxo de cobrar uma penalidade e isolar a pelota (com uma absoluta falta de categoria) para delírio de seus torcedores.





Outros Estados:
No Campeonato Cearense, o Fortaleza não deu chances ao arqui-rival Ceará e com o empate por 1x1 assegurou sua 38ª conquista estadual, aproximando novamente do alvinegro, que só possui 39 conquistas em seu currículo porque no final de 2008 foram reconhecidos como certames estaduais os torneios realizados pela antiga Liga Metropolitana Cearense de Futebol, o que fez com que o começo da história do Estadual Cearense retroagisse para o ano de 1915, garantindo cinco títulos de lambuja ao “Vozão”. No Distrito Federal, o Brasiliense não deu chances para que o Brasília relembrasse seus áureos tempos de glórias e com duas vitórias (2x1 e 2x0) assegurou o hexacampeonato estadual. O resultado deixa o time de Luiz Estevão apenas duas conquistas atrás dos rivais, embora ainda faltem quatro títulos para que o recorde estadual (que pertence ao Gama) seja quebrado. No Rio Grande do Norte, o ASSU (ou se preferir, Associação Sportiva Sociedade Unida), chegou ao inédito título estadual apesar de ter sido fundado apenas em 2002. A conquista comprova a ascensão dos times do interior, que nos últimos oito anos conquistaram quatro títulos no estado. Vale ressaltar que de 1919 até 2000, o Campeonato Potiguar teve apenas quatro campeões (todos da capital Natal): ABC, América, Alecrim e o já extinto Santa Cruz. No Campeonato Paraíbano, o Sousa chegou a sua segunda conquista estadual ao superar o Treze(uma das maiores forças locais) jogando na casa do rival. Vale lembrar que essa foi a terceira decisão entre ambas as equipes na mesma competição: no 1º turno o Sousa levou a melhor, sendo superado posteriormente pelo Treze na decisão do 2º turno (quando poderia ter sido campeão antecipado). Na final definitiva, o “Dinossauro verde do Sertão” saiu em desvantagem ao empatar o primeiro duelo jogando em casa (1x1), mas com muito brio protagonizou uma verdadeira zebra em pleno Amigão, tradicional estádio de Campina Grande. No Acre, o Juventus (que esteve licenciado de 1996 a 2003, além de amargar os vice-campeonatos de 2004 e 2008) voltou ao topo do pódio após 13 anos de jejum, faturando seu 14º título estadual de forma antecipada, ao conquistar os dois turnos do campeonato sem dar qualquer chance ao grande rival Rio Branco, que detém a hegemonia do estado com 25 conquistas e realizou grande campanha no Campeonato Brasileiro da Série C de 2008, mas nem sequer chegou às finais dos turnos no atual campeonato acreano. Quem também está feliz da vida é o Paysandu, que praticamente colocou a mão na taça ao massacrar o São Raimundo (6x1) na partida de ida da final do Campeonato Paraense. Por outro lado, outra tradicional equipe azul e branca tem motivos de sobra pra lamentar. O maior vencedor da história do campeonato alagoano amargou (mais um) rebaixamento para a segunda divisão ao ser derrotado pelo o CRB (por 2 a 1), no clássico realizado no estádio Rei Pelé e que acabou em confusão.

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