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América do Sul, África e Ásia
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Por Victorino Netto

Fique por dentro de tudo o que acontece no cenário futebolístico mundial sob a ótica crítica e informativa do jornalista assisense Victorino Netto.
 
América do Sul, África e Ásia | 22/11/2008 - 09:51


Na América do Sul, as coisas não andam nada boas para os tradicionais River Plate e Rosário Central na Argentina. Apesar das respectivas vitórias contra Independiente e Húracan na última rodada, essas equipes ocupam as últimas colocações do. Já na parte de cima da tabela, Boca Juniors e San Lorenzo brigam pela liderança (nesse fim de semana o Boca perdeu em casa para o Vélez enquanto o San Lorenzo empatou com o Newell’s Old Boys), seguidos por Tigre e Lanús, que vem logo atrás. O Estudiantes, que faz uma campanha regular no torneio nacional, deu um passo importante para chegar à final da Sul-Americana ao empatar em 1x1 o confronto contra o Argentinos Juniors, jogando na casa do adversário nesse meio de semana. Porém, ao repetir o confronto pelo Campeonato Argentino no domingo, a equipe de Verón foi goleada por 4x0 e agora está atenta para o duelo decisivo da próxima quarta.





No Uruguai, a briga pela liderança é entre Nacional e Danubio, que se enfrentaram nesse final de semana com vitória do Danubio por (1x0) em uma partida tumultuada (após o fim do jogo, torcedores invadiram o gramado em uma verdadeira batalha campal), enquanto o Peñarol sente falta dos três pontos perdidos devido a uma punição pelos incidentes em uma partida pelo Apertura em 2007. Quem surpreende com a boa campanha são os modestos Cerro e Liverpool, que também estão entre os primeiros colocados. Na parte de baixo da classificação, o tradicional Montevideo Wanderes (clube por onde já passaram Obdulio Varela e Enzo Francescoli) decepciona com sua má campanha e segue entre os últimos colocados.






Já no grande clássico do Paraguai (disputado na semana passada), o Cerro Porteño fez 3 a 1 no Olímpia, com gols de “El Tigre” Ramírez (ex-Flamengo), Ávalos e Ortíz para os cerristas, enquanto Lazaga descontou para os franjeados. Os gigantes do futebol local encontram dificuldades e realizam campanhas discretas no torneio. Nesse final de semana, o Olimpia voltou a perder, desta vez para o Libertad, que lidera a competição com um surpreendente Sol de América (derrotado na última rodada pelo Guarani) em seu encalço.








No Chile, foram disputados as partidas de ida das quartas-de-final do Clausura e os clubes mais tradicionais não tiveram moleza: O Universidad de Chile foi goleado pelo Cobreloa por 3x0, enquanto Colo-Colo (contra o Huachipato em 1x1) e o Universidad Católica (contra o Everton em 3x3), empataram seus confrontos. O’Higgins e Palestino também ficaram iguais (2x2). Já na Colômbia, o Once Caldas decide nesta quarta-feira o título da Copa nacional contra o modesto e surpreendente La Equidad (que joga em casa com a vantagem de 1x0 no placar).





No Peru, a ameaça de suspensão da federação local pela FIFA (e que já causou a perca do Sul-Americano sub-20 que seria disputado no país) gera especulação em relação às vagas para a Libertadores do ano que vem. Outra notícia triste é a queda do tradicional Sport Boys, que com a derrota por 3 a 1 para o Melgar, foi rebaixado pela primeira vez em 20 anos. Já na Venezuela, dois clássicos marcaram a rodada da semana passada: o Caracas perdeu em casa para o Deportivo Italia por 2x0, enquanto o Mineros venceu o Minerven por 2 a 1.







No Equador, a semana passada também foi de clássico: o Deportivo Quito segurou o 1 a 1 em casa com o Barcelona e se destaca na ponta da tabela. Já a LDU Quito, atual campeã da Libertadores, perdeu em casa para o Deportivo Cuenca e se afasta do topo. E na Bolivia, confusão no clássico cochabambino entre Aurora e Jorge Wilstermann pelo Torneio Playoff, quando jogadores do Aurora entraram em confronto com a polícia local em uma confusão que começou com o jogador Zenteno e acabou inflamada pelo despreparo das autoridades e o goleiro Dulcich, que acabou expulso de campo. Ahh... O jogo terminou 1x0 para o Aurora!!!





África:
Definido o representante africano no Mundial de Clubes da FIFA que ocorre em dezembro. E mais uma vez não teremos novidades, já que o Al Alhy do Egito sagrou-se campeão continental vai ao seu terceiro mundial. O clube mais tradicional da África conta com estrelas locais (como os defensores Mohamed, Gomaa e Moawad, além dos meias Ahmed Hassan e Aboutrika, todos campeões continentais com a seleção egípcia em 2008) e internacionais (como os angolanos Gilberto e Flávio, além de Hussain Yasser, um dos principais atacantes do Catar). Não por acaso, a campanha foi um passeio, a começar pela fase de grupos, onde o clube superou o Dynamos (do Zimbábue), o ASEC Mimosas (da Costa do Marfim) e ainda se deliciou vendo o maior rival (Zamalek) acabar na lanterna da chave. Nas semifinais, em um clássico do futebol africano, o Al Alhy encontrou dificuldades frente ao Enyimba da Nigéria (que contava com o artilheiro da competição, o atacante Stephen Worgu, já negociado com o Al-Merrikh do Sudão por 2,500,000 dólares), mas mesmo assim conseguiu chegar à final com uma vitória apertada (1x0) e um empate (0x0). O rival Cotonsport Garoua (de Camarões), que possui nove títulos nacionais (sete só na última década, sendo os últimos seis consecutivos), contando com um elenco mais jovem, teve mais dificuldades para chegar à final, mas foi decisivo jogando em seus domínios (o estádio Omnisports Roumde-Adja). Nele, o time somou nove dos seus dez pontos na fase de grupos, além de bater o Dynamos por goleada na semifinal (4x0), quando já tinha a vantagem de ter vencido pela contagem mínima o primeiro confronto. Porém, na final, o Cottonsports não resistiu à força do Al Alhy, sendo derrotado fora de casa (2x0) e empatando a segunda partida (2x2). Essa foi a sexta conquista continental do alvirrubro egípcio.  

Em termos de seleção, a FIFA definiu os cinco grupos que apontarão os representantes do continente na Copa do Mundo de 2010 e também na próxima Copa da Africana de Nações. Confira:




Grupo 1 (Camarões, Marrocos, Togo e Gabão):
Um dos grupos mais fortes e equilibrados colocará três equipes que já foram ao mundial frente a frente. Camarões, que tem uma base forte onde se destacam o goleiro Kameni, o experiente zagueiro Rigobert Song, o meia Geremi e o atacante Eto’o, é favorito, mas terá que suar para derrotar os marroquinos (onde brilham o zagueirão El Kaddouri, o meia Kharja que joga no Siena da Itália, além do atacante Chamakh, que atua no futebol francês) e togoleses (que fizeram uma campanha irregular, mas ainda contam com mais da metade do elenco que esteve no último mundial, entre eles o centroavante Adebayor). Já o Gabão (que deu trabalho a Gana na fase anterior e superou a Líbia na briga pela vaga) não tem muitas perspectivas, confiando no talento dos atacantes Roguy Méyé e Fabrice Do Marcolino.




Grupo 2 (Nigéria, Tunísia, Quênia e Moçambique):

A disputa nessa chave deve mesmo se concentrar entre as seleções mais tradicionais e experientes, ou seja, Nigéria e Tunísia. Na fase anterior, os nigerianos foram simplesmente perfeitos, com 100% de aproveitamento. Destaque para o poder ofensivo do país, concentrado nos pés de diversas opções como Kanu, Aiyegbeni, Odemwingie, Ike Uche e Obinna. Já os tunisianos foram surpreendidos por Burkina Faso anteriormente e agora devem estar mais atentos. Novos talentos como Belaid (que já passou pela Inter), Bem Saada e Jemâa (que atuam no futebol francês) formam a base junto com velhos conhecidos, como Haggui, Jaidi, Mnari e Francileudo dos Santos. Quênia (do atacante Oliech) e Moçambique (do defensor Simão Mate) devem mesmo é ganhar experiência, já que tem pouca tradição internacional em relação ao adversários do grupo.



Grupo 3 (Egito, Argélia, Zâmbia e Ruanda):
Chegou a hora da verdade para o futebol egípcio. Fora dos mundiais desde 1990, o atual e maior campeão continental quer acabar com a máxima de que amarela quando o assunto são as eliminatórias para a Copa. Para isso, confia no talento de estrelas como o veterano goleiro Essam El-Hadary, os meias Ahmed Hassan e Aboutreika, além dos atacantes Motaeb, Zidan e Zaki (sem contar que Mido Hossan continua afastado da seleção). Mas se bobear, o Egito corre sérios riscos de se complicar contra a boa equipe argelina (que eliminou Senegal na fase anterior e têm jogadores que atuam na Europa, como os defensores Bougherra, Yahia e Belhadj, os meias Hemdami, Mansouri e Ziani, além do atacante Saifi). Zâmbia também deu trabalho na fase anterior, superando os togoleses que estiveram no último mundial.  Destaque para os irmãos Katongo: o meia Felix (do Stade Rennes da França) e o atacante Christopher (do alemão Arminia Bielefeld). Já a equipe de Ruanda (dos atacantes Karekezi e Makasi) deu trabalho ao Marrocos na fase anterior, mas não tem grandes perspectivas de classificação.




Grupo 4 (Gana, Mali, Benin e Sudão):
Em uma das chaves mais imprevisíveis das eliminatórias africanas, Gana leva vantagem por possuir ampla experiência internacional frente aos seus concorrentes. Porém, isso não impediu que o país tivesse a classificação ameaçada por Gabão e Líbia na fase anterior, conseguindo a vaga nos critérios de desempate. Apesar de não contar com Essien (contundido), velhos conhecidos da torcida ainda figuram entre os titulares (como Kingson, Sarpei, Mensah, Pantsil, Muntari, Appiah e Gyan). Outros bons nomes que não estiveram na última Copa, como o atacante Agogo e o meia Barusso, também foram incorporados ao elenco. A seleção de Mali luta para chegar a seu primeiro mundial e não desperdiçar uma talentosa geração onde despontam estrelas como Diarra (do Real Madrid), Sissoko (da Juventus), Keita (do Barcelona) e Kanouté (do Sevilha). Benin foi uma das gratas surpresas da fase anterior, realizando grande campanha ao eliminar os angolanos (que estiveram na última Copa). Entre os principais jogadores do país, despontam o meia Sessegnon (do PSG da França e que recentemente foi punido por dirigir embriagado), além dos atacantes Tchomogo e Omotoyossi (um dos artilheiros dessas eliminatórias). Já o Sudão, que conta com uma das ligas locais mais fortes do continente, tem como desvantagem a inexperiência em âmbito internacional de seus atletas, já que todo seu elenco atua no país. O grande nome da equipe é o meia Faisal Agab.



Grupo 5 (Costa do Marfim, Burkina Faso, Guiné e Malauí):
A badalada seleção marfinense poderia ser considerada a favorita dessa chave só por contar com estrelas como Touré, Zokora, Kalou e principalmente Drogba, além de ter se classificado para o último mundial. Porém, para chegar a Copa da África em 2010, os “Elefantes” terão de superar a sensação das eliminatórias do continente até aqui: Burkina Faso. Apoiados na força do volante Kaboré (que joga no francês Olympique de Marselha) e no oportunismo do atacante Dagano (artilheiro do qualificatório africano até aqui), a seleção terminou a fase anterior invicta, superando a tradicional Tunísia na ponta de seu grupo. Guiné corre por fora, apostando no talento de Pascal Feindouno (que recentemente trocou o Saint-Étienne da França pelo futebol do Catar) e no matador Ismaël Bangoura (do Dynamo de Kiev). Já a seleção de Malauí surpreendeu a todos ao eliminar a favorita República Democrática do Congo na última rodada da fase anterior e agora se contenta com o que vier pela frente. Quase todo elenco atua no futebol africano e uma das poucas exceções, o atacante Kanyenda que joga na Rússia, é a maior esperança da torcida.



Ásia:
O representante (na verdade, os representantes) da Ásia no mundial também está definido.  Na final da Copa dos Campeões da Ásia (ou AFC Champions League) o Gamba Osaka (do Japão) bateu o Adelaide United (da Austrália) e garantiu a inédita conquista para o clube dos brasileiros Mineiro (defensor, ex-Inter), Roni (que já rodou por Fluminense, Atlético Mineiro, Flamengo e Cruzeiro), além de Lucas (vice artilheiro do torneio com seis gols). O ex-atacante de Corinthians e Cruzeiro foi decisivo nas finais, onde marcou três gols nos dois confrontos. A campanha da equipe japonesa até certo ponto foi surpreendente, já que o time tinha investimentos modestos em relação aos compatriotas e demais clubes do Oriente Médio. Na estréia, um empate em casa contra o modesto Chonburi da Tailândia (1x1) não foi um bom prenúncio. Porém, na seqüência o Gamba emendou três vitórias seguidas (duas fora de casa) e com um empate contra os sul-coreanos do Chunnam Dragons na última rodada, a equipe assegurou o primeiro lugar da chave. A partir das quartas de final, o time de Osaka cresceu ainda mais de produção e comandado pelo talentoso meia Endo, venceu duas vezes o Al-Karamah (da Síria). Nas semifinais, um duelo local contra o favorito Urawa Red Diamonds, onde o time do experiente treinador Akira Nishino mais uma vez se superou.

Do outro lado, o rival Adelaide United também surpreendia ao derrotar equipes tradicionais (como o Kashima Antlers nas quartas) ou que investiram pesado para o torneio (caso do Bunyodkor do Uzbequistão, clube de Rivaldo), sempre na base de um “futebol força”, mais próximo do estilo de jogo europeu do que asiático. Mas na final, os australianos não resistiram à força dos japoneses e caíram por duas vezes (3x0 e 2x0), a maior diferença no placar agregado da história da competição.  Além de campeão, o Gamba Osaka termina o torneio invicto e com aproveitamento de 83,3%, uma das melhores campanhas em todas as edições da competição continental. Mesmo assim o Adelaide não sai no prejuízo, já que com a conquista o Gamba Osaka vai ao mundial como representante do país sede, classificando conseqüentemente a equipe australiana como representante asiática.


Já na AFC Cup, a Copa da Ásia (espécie de Copa da UEFA ou Sul-Americana do continente), o Muharraq Club (do Bahrein) sagrou-se campeão (o primeiro título internacional de um clube do país) depois de vencer o Safa SC (do Líbano), marcando dez gols em dois jogos (5x1 e 5x4). O atacante Rico (que já passou por São Paulo, Portuguesa Santista e Grêmio e é ídolo no país) foi o artilheiro da competição com 19 gols, seis deles marcados nas finais. Não por acaso é cogitada sua naturalização para defender a seleção do Bahrein.


E para fechar, uma saudação as norte-coreanas que, de virada, conseguiram bater as americanas na final do Mundial Sub-17, disputado na Nova Zelândia, por 2x1. Os Estados Unidos abriram o placar logo aos dois minutos de jogo, mas a Coréia do Norte conseguiu o empate, que levou o jogo para a prorrogação. Na prorrogação, Jang Hyon Sun decretou a vitória das asiáticas, treinadas por Rui Ui Ham. As alemãs acabaram em terceiro lugar após vencer a Inglaterra e a seleção brasileira sequer passou da fase de grupos.

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