Escolas de antigamente
 blog | Direito e Cidadania

Por José Benjamin de Lima

Advogado. Promotor de Justiça aposentado. Mestre em Direito. Aborda temas ligados ao Direito, com ênfase em questões de cidadania e da comunidade assisense.
 
Escolas de antigamente | 06/05/2009 - 11:17

Nosso ensino já foi bem melhor. Lembro-me dos bons tempos de ginásio e colégio no Instituto de Educação de Rancharia. Ali continuávamos uma busca já começada no Júlio Lucant, onde fizéramos o primário. O Instituto de Educação, o IE, era o único ginásio da cidade e para ali confluíam todos os estudantes, ricos e pobres, numa mistura bastante democrática.

Não havia colégios particulares na cidade, só ensino público. Era uma época em que as desigualdades sociais não pareciam tão acentuadas e tão dramáticas como hoje. E, independentemente de ser pobre, rico ou remediado, todos tinham oportunidade de demonstrar o seu valor; o que importava era estudar e ser aplicado, sem prejuízo das boas traquinagens da juventude. Ainda não havia a maconha, a cocaína ou o “crak” nas escolas. Nem alunos armados. Nem agressões de alunos (ou pais) contra professores. O grande vício, a grande transgressão era o cigarro. E não havia essa imensa multidão de excluídos que há hoje. Também não havia merenda escolar.

Os professores se faziam respeitar (o sistema, como um todo, facilitava isso) e eram realmente respeitados, mesmo sendo, algumas vezes, injustos. O IE era o nosso mundo! Seus corredores e classes eram, para nós, alunos, principalmente, a sede do espírito, do estudo e do saber, mas, também, da piada, da boa farra, das brincadeiras e da gozação. É certo que um ou outro fazia sucesso com a cola, mas a maioria estudava mesmo para valer. Ai de quem não estudasse! Não havia promoções automáticas, como hoje... Acreditava-se no valor da educação como instrumento democrático de ascensão social.

No final dos anos 50 e início da década de 60, por um desses acasos que o destino inventa, concentrou-se em Rancharia uma plêiade de grandes professores, que marcaram profundamente a vida da cidade e os corações e mentes daqueles que foram seus alunos.

Alguns desses mestres, extremamente rigorosos, não se pejavam de distribuir zeros à vontade (foi com eles que mais aprendemos); outros, mais benevolentes, fingiam até não ver a cola que alguns escondiam na mão ou no bolso. José Martins Maurício, Carlos Ortiz, Rubens Garcia, Hélia Café Siqueira, Brasilina Formenti, Laurita Vaz, Carolina Magalhães, Edna Phols de Queiroz, Dona Esther, Célia Penço, Comenali, Pedro Godinho, para mencionar apenas aqueles que mais de perto falam à minha lembrança, e tantos outros, que passaram por lá, naquela época, não foram apenas profissionais bem preparados e dedicados pais da matéria; foram também exemplos de pessoa humana. Abriram horizontes; deram-nos formação e não apenas informação.

Muitos deles, vindos de longe, iniciaram a carreira docente em Rancharia, por concurso público, e ali ficaram apenas poucos anos. Mas a força de seu talento, de sua personalidade e de sua sabedoria permaneceu para sempre entre nós, quase como uma legenda. Foram nossos exemplos.

Hoje, diante do desprestígio do ofício de professor e da decadência de nosso ensino público, concluo que minha geração foi privilegiada e me pergunto, desolado, se conseguimos retribuir e multiplicar aquilo que nos deram nossos admiráveis mestres. Parece que não. (jblima@femanet.com.br)

 comentário
Eloize Jaqueline Askel em 18/10/2010 - 21:13
Célia Coutinho em 22/11/2010 - 09:14
katia em 28/03/2011 - 19:55
EDNÉIA LOPES em 31/03/2013 - 17:06
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